O acúmulo de gordura abdominal, especialmente a gordura visceral, que se acumula entre os órgãos, representa um risco significativo para a saúde das mulheres. Estudos recentes indicam que essa condição está intimamente ligada à incontinência urinária de esforço, um problema que afeta muitas, mas que ainda é pouco discutido.
A pesquisa conduzida pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com apoio da Fapesp, destaca que a gordura visceral pode ser um fator preponderante, superando até mesmo a gordura corporal total no que diz respeito à incidência dessa condição. A incontinência urinária de esforço refere-se à perda involuntária de urina em situações cotidianas, como ao tossir ou rir.
“O problema é especialmente comum em mulheres de todas as idades e nem sempre está ligado apenas ao envelhecimento”, afirma Patricia Driusso, professora de Fisioterapia em Saúde da Mulher da UFSCar. A fraqueza do assoalho pélvico, frequentemente negligenciada, pode agravar a situação.
Relação entre gordura visceral e incontinência
A pesquisa, que analisou 99 mulheres de diferentes faixas etárias, encontrou que quase 40% delas relataram episódios de perda urinária. O principal achado foi que a presença de gordura visceral elevou em cerca de 51% a probabilidade de incontinência urinária de esforço. “Pensávamos que a gordura na região ginecológica teria maior impacto, mas a gordura visceral se mostrou um fator mais importante”, explica Driusso.
Esse tipo de gordura aumenta a pressão abdominal sobre o assoalho pélvico, resultando em sobrecarga que pode afetar a muscularidade dessa região. Além disso, a gordura visceral é metabolicamente ativa, liberando substâncias inflamatórias que afetam negativamente a qualidade muscular, incluindo os músculos do assoalho pélvico.
Prevenção e tratamento da incontinência
A identificação dessa relação traz uma luz importante sobre estratégias de prevenção e tratamento. O fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico, por meio de fisioterapia e exercícios direcionados, é considerado o padrão-ouro para o tratamento da incontinência urinária de esforço. “Muitas mulheres não conseguem contrair essa musculatura corretamente sem orientação adequada”, ressalta Driusso.
As intervenções devem ser contínuas e monitoradas, pois a fraqueza do assoalho pélvico pode persistir se o treinamento não for mantido. Ao reforçar a musculatura, as mulheres conseguem melhorar significativamente a condição, reduzindo a incidência de perda urinária.
A importância de discutir o tema
Diante dos resultados, é crucial ampliar o debate sobre a incontinência urinária e sua relação com a gordura abdominal. O tema ainda está envolto em tabu, e muitas mulheres sofrem em silêncio. “Incontinência urinária não é apenas um problema de saúde física; impacta a qualidade de vida e limita atividades cotidianas”, conclui Driusso, enfatizando que é um assunto que deve ser tratado de forma aberta e informada.
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