A safra de laranja 2026/27 do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro, a principal região produtora de laranja para suco do mundo, chega com a estimativa de 255,20 milhões de caixas de 40,8 quilos. Essa previsão representa uma queda de 12,9% em comparação à safra anterior, que totalizou 292,94 milhões de caixas, além de uma diminuição de 14,7% em relação à média da última década. Os dados foram divulgados pelo Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus).
A redução na produção se deve à bienalidade, que é a oscilação natural dos pomares, à diminuição no número de frutos por árvore e ao aumento da taxa de queda prematura. Estes fatores superam os efeitos positivos, como o maior peso dos frutos e o crescimento no número de árvores produtivas no parque citrícola.
Causas da Queda na Safra de Laranja
De acordo com o Fundecitrus, as condições climáticas e a possibilidade de irrigação foram determinantes no perfil das floradas e no desempenho da produção. A estiagem de maio de 2025 causou estresse hídrico nas plantas, que foi posteriormente mitigado pela irrigação em áreas mais irrigadas, incentivando a primeira florada. No entanto, o pegamento de frutos foi prejudicado devido a temperaturas acima da média em setembro.
Nas regiões menos irrigadas, a primeira florada foi limitada, impactada por temperaturas elevadas e baixa precipitação de julho a setembro. Contudo, as chuvas de outubro, intensas e bem distribuídas, beneficiaram a emissão da segunda florada, que predominou na safra. Embora as altas temperaturas de dezembro tenham afetado os frutos dessa fase, as chuvas entre dezembro e março ajudaram a sustentar o desenvolvimento dos frutos.
Guilherme Rodriguez, gestor da pesquisa do Fundecitrus, afirma que esse cenário não só afetou o potencial produtivo, mas também a uniformidade e qualidade da safra, exigindo um manejo mais cuidadoso.
Desafios na Citrinicultura Brasileira
Juliano Ayres, diretor-executivo do Fundecitrus, comentou que a estimativa reflete um cenário mais complexo para a citricultura. A variabilidade climática, junto com a pressão do greening, impacta o pegamento, a carga e a queda de frutos. Apesar de as condições de cultivo terem melhorado, o setor precisa de um rigoroso manejo e monitoramento contínuo para evitar perdas.
Em setembro de 2025, o Fundecitrus identificou que o greening atingiu 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola, revelando a gravidade da situação fitossanitária na região. A gestão adequada dessas questões é vital para garantir a sustentabilidade da produção de laranjas.
Produção e Qualidade dos Frutos
Apesar da baixa no número de frutos, a qualidade apresenta um aspecto positivo. A menor carga por árvore resulta em frutos com maior peso médio. A projeção estima laranjas com cerca de 160 gramas no ponto de colheita, um aumento em relação à safra anterior. Entretanto, a produtividade média prevista é de 697 caixas por hectare, o que representa uma queda de 13,8% comparada à safra anterior, com todas as variedades apresentando redução no rendimento.
Os fatores que pressionam essa produtividade incluem o avanço do greening e a incidência da leprose, somados à previsão de um evento de El Niño no segundo semestre de 2026, o que deve impactar ainda mais as condições climáticas. Além disso, a coleta tardia e a inclusão de novas metodologias de medição aumentam a taxa de queda e a perda de frutos, refletindo as dificuldades que o setor enfrenta.
O levantamento realizado abrangeu 2.560 árvores distribuídas em várias regiões, variedades e idades, garantindo a representatividade estatística necessária para obter um panorama preciso do cinturão citrícola. Esse cuidado é crucial para que as intervenções e estratégias possam ser adequadamente aplicadas e possam mitigar perdas futuras e sustentar a produção.