Na última segunda-feira (1º), a ampla maioria dos conselheiros do Corinthians votou pela expulsão do ex-presidente Augusto Melo do quadro de sócios do clube devido à invasão à sala da presidência, ocorrida em maio de 2025.
A Itatiaia separou abaixo os próximos passos e os possíveis desdobramentos da decisão tomada pelo Conselho Deliberativo, atualmente presidido por Leonardo Pantaleão.
Desdobramentos da expulsão de Augusto Melo
Assim como Andrés Sanchez, Augusto e sua defesa optaram por judicializar a votação no Conselho. Antes mesmo do encontro no Parque São Jorge, representantes de Melo ingressaram com uma ação na Justiça para anular o ato administrativo.
Ricardo Jorge, ex-diretor administrativo do Corinthians e advogado de Augusto Melo, argumenta que houve uma série de irregularidades no processo. Ele afirma que “não foi produzida prova” e considera o resultado “complicado”. Segundo Ricardo, o regulamento utilizado para conduzir o processo não foi criado de acordo com o estatuto, levantando questões sobre sua legitimidade.
A defesa de Augusto destaca diversas irregularidades, como convocação inadequada da reunião do Conselho Deliberativo, ausência de intimação para julgamento, falta de ata e comunicação do resultado, e cerceamento de defesa. Este contexto jurídico pode ser interpretado como uma defesa arraigada na proteção de direitos, ressaltando a possibilidade de contestação judicial sempre que houver divergências.
Leonardo Pantaleão, presidente do Conselho, reconheceu a situação e a legitimidade do desejo de Augusto de recorrer à Justiça. Ele afirmou: “Se entenderem que podem judicializar, essa é uma possibilidade.”
Novas votações em pauta
Outros conselheiros que podem enfrentar punições, como Maria Angela Ocampos, Mário Mello Junior, Paulo Juricic e Ronaldo Fernandez Tomé, não tiveram suas expulsões votadas devido a um pedido de adiamento feito por Maria Angela, o que foi acatado pelos conselheiros. A continuidade da votação está marcada para a próxima segunda-feira (8).
Pantaleão admitiu que dificilmente todas as questões serão resolvidas na próxima reunião, sugerindo a possibilidade de novas assembleias para resolver as situações pendentes. Selecionados conselheiros, como Kadu Melo, Rodrigo Simonini Gonzalez e Wanderson Salles, aguardam punições que variam entre suspensões de três a seis meses, enquanto outros podem receber advertências.
Conforme Pantaleão explicou, a situação de Maria Angela foi considerada especial, levando ao adiamento de seu julgamento, o que originou a decisão de suspender toda a reunião até que a questão fosse adequadamente resolvida.
Contexto do incidente de maio de 2025
Para entender a gravidade da decisão, é necessário relembrar os eventos que sucederam a invasão do Parque São Jorge em 31 de maio de 2025. Augusto Melo tentou retomar a liderança do Corinthians em um episódio amplamente interpretado como uma tentativa de golpe. Com aliados, ele invadiu a sala da presidência, buscando afastar Osmar Stabile, que atuava como presidente interino na época.
Essa invasão foi marcada por conflitos de autoridade, uma vez que Maria Angela Ocampos também reivindicou a liderança do Conselho Deliberativo, além de um pedido de afastamento do presidente Romeu Tuma Júnior. Esta situação complexa gerou um clima conturbado entre os membros do clube.
A Comissão de Justiça do Conselho Deliberativo, juntamente com o Cori (Conselho de Orientação), não identificou respaldo estatutário nas ações de Augusto e Maria Angela. O descontentamento gerado pelas ações empreendidas foi tão intenso que resultou em um registro de boletim de ocorrência por parte de Leonardo Pantaleão, apontando delitos como constrangimento e ameaça.
Em 9 de agosto de 2025, Augusto Melo foi definitivamente afastado da presidência do Corinthians em uma votação onde os sócios se mostraram majoritariamente a favor da sua destituição, com 1.413 votos a favor e 620 contra. Essa decisão reforçou a tensa relação interna que o clube enfrenta.
Com a Assembleia Geral programada para o dia 20, onde será votada a reforma do estatuto do clube, a situação dos conselheiros envolvidos segue em compasso de espera. O desfecho dessa história poderá moldar significativamente o futuro da gestão do Corinthians, que já enfrenta desafios intensos nas instâncias jurídicas e administrativas.
