Política

“Dark Horse”: Filme sobre Bolsonaro tem investimento de R$ 75 milhões

“Dark Horse”: Filme sobre Bolsonaro tem investimento de R$ 75 milhões

A cinebiografia “Dark Horse”, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, está no centro de uma controvérsia significativa. Segundo uma perícia contratada pela Go Up Entertainment, a produtora do filme, os custos totais da produção foram de R$ 75 milhões, e não envolveram recursos públicos para a realização do projeto.

Recentemente, a produtora enfrentou uma operação da polícia que investiga possíveis desvios de verba pública na Prefeitura de São Paulo. Em um cenário no qual a transparência nas finanças e no financiamento de produções cinematográficas se torna cada vez mais importante, a situação do “Dark Horse” merece atenção especial.

Análise dos custos da produção

De acordo com o Instituto de Perícia Investigativa (IPI), os investimentos foram de aproximadamente US$ 13 milhões, o que equivale a cerca de R$ 75 milhões. A análise realizada pela perícia envolveu um detalhado exame dos registros financeiros, incluindo extratos bancários e contratos de investimento, para assegurar a legalidade e a origem dos recursos utilizados.

As conclusões da perícia indicam que todos os valores foram movimentados por meios formais e são documentalmente identificáveis. A Go Up Entertainment, responsável pela produção, reafirmou que não houve uso de incentivos financeiros ou recursos públicos na realização do filme. Note-se que, apesar da confirmação do gasto total, o documento não fornece informações sobre a origem específica dos fundos, invocando cláusulas de confidencialidade pela LGPD.

Eventos que rodeiam a produção do filme

O contrato de investimento com o fundo Havengate, datado de 24 de fevereiro de 2025, totaliza os US$ 13 milhões utilizados na realização de “Dark Horse”. Entretanto, o fundo está sob investigação e é associado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que é conhecido por suas ligações com práticas de financiamento que despertam suspeitas. A Polícia Federal está buscando maneiras de quebrar o sigilo desse fundo.

O filme, embora apresentado como uma cinebiografia, é descrito pela perícia como uma produção de caráter ficcional, livremente inspirada na trajetória do ex-presidente. A escolha do título remete a um competidor inesperado nas eleições, refletindo a ascensão eleitoral de Bolsonaro em 2018.

Expectativas para o lançamento

Prevista inicialmente para estrear em 11 de setembro, a estreia de “Dark Horse” pode ser adiada para garantir que a produção não interfira nas eleições. Esse adiamento se torna ainda mais relevante após a divulgação de áudios de Flávio Bolsonaro, onde ele negocia um repasse de recursos com Daniel Vorcaro para a produção do filme. Apesar da verificação dos R$ 75 milhões, Flávio havia mencionado a expectativa de obter até US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, para o projeto.

Além disso, informações levantadas pela Folha de S.Paulo indicam que deputados estaduais de São Paulo destinaram cerca de R$ 700 mil para entidades ligadas à Go Up Entertainment, levantando dúvidas sobre a maneira como a produtora tem gerenciado o financiamento de suas atividades e projetos. Essa situação foi amplamente discutida, levando a questionamentos sobre a integridade do financiamento da cinebiografia.

A Operação Wi-Fi Livre, conduzida pela polícia, também gera mais complexidade sobre as conexões entre a Prefeitura de São Paulo e a Go Up Entertainment, especialmente em relação a uma investigação de possíveis fraudes em licitação. A soma total das irregularidades é estimada em R$ 108 milhões, o que realça a necessidade de uma análise mais transparente sobre as transações realizadas na cidade.

Nos primeiros desdobramentos do caso, Flávio Bolsonaro se manifestou afirmando que as investigações em andamento não têm relação direta com o filme, mas a repercussão em torno de sua produção e das finanças associadas continua gerando debates e preocupações no âmbito da legislação e da ética no financiamento de produções artísticas no Brasil.