O atentado contra o tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos, de 39 anos, completa um mês nesta segunda-feira (27).
O oficial, que é irmão mais velho de Eloá Pimentel, jovem assassinada em 2008, foi baleado na cabeça na manhã do dia 27 de junho em São Caetano do Sul, no ABC Paulista.
Em 30 dias de investigação, a polícia prendeu suspeitos e outros morreram em tiroteios com equipes policiais. Porém, o homem que teria atirado no tenente ainda está foragido. Veja abaixo tudo que se sabe até agora sobre o caso.
Dia do atentado e premeditação
Ronickson estava de folga e à paisana quando foi surpreendido por dois homens em uma motocicleta vermelha, logo após sair de uma academia na Avenida Goiás.
Imagens de câmeras de monitoramento mostraram que os criminosos emparelharam com a moto do oficial, enquanto ele aguardava a abertura de um semáforo e efetuaram os disparos.
A investigação aponta que o crime foi premeditado e envolveu monitoramento prévio da rotina do policial militar. Um Renault Logan branco, usado no apoio logístico do crime, foi registrado ao circular ao menos 96 vezes por áreas frequentadas pelo tenente entre fevereiro e mais deste ano.
A polícia também apura o envolvimento da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) na coordenação do ataque.
Atentado contra tenente: câmeras rastrearam rota de fuga de suspeitos
Estado de saúde do tenente
Após ser socorrido pelo helicóptero Águia em estado gravíssimo, o tenente Ronickson passou por uma cirurgia de emergência para remover o projétil. Ao longo do mês, apresentou melhora gradual.
Em 9 de julho, o policial militar foi submetido a uma traqueostomia bem-sucedida. Na última atualização do estado de saúde do oficial, em 20 de julho, a família informou que todos os sedativos foram suspensos.
Com isso, Ronickson passou a responder a estímulos e iniciou um processo de despertar lento e progressivo no Hospital Estadual Mário Covas.
Prisões e o foragido “Golias”
Até o momento, a estrutura do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) e da Polícia Militar resultou em prisões e na identificação do autor dos disparos contra Ronickson.
O suposto atirador é Hércules da Costa Siqueira, o “Golias”, que foi identificado e está foragido. O homem foi incluído na Lista de Difusão Vermelha da Interpol. O governo de São Paulo oferece uma recompensa de R$ 50 mil por informações que levem ao paradeiro do suspeito.
Na última semana, a esposa e o enteado de “Golias” foram presos. Claudia é suspeita de auxiliar na fuga do marido, enquanto o filho dela, Vinicius, teria participado do monitoramento da rotina do tenente antes do crime.
Outros homens foram presos por fornecer transporte e apoio no dia do atentado. Entre eles, Luis Altino da Silva (“Chuck”), suspeito de contratar uma pessoa para abandonar a moto usada no ataque, e Luiz Henrique de Oliveira Nascimento, que confessou ter se livrado do veículo em Heliópolis, comunidade na zona Sul de São Paulo.
Além desses, um jovem de 24 anos chegou a ser detido junto com o pai no início das investigações em Guaianases, mas foi liberado por não ter a participação confirmada.
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Mortos nas operações da Rota e protestos
A busca pelos envolvidos tem sido marcada por operações da Rota, que resultaram na morte de seis pessoas em supostos confrontos. Entre os mortos estão suspeitos com ligações diretas ao caso.
Um deles é Marcelo Jesus Dias (“Nego Zum”), apontado como o piloto da moto no dia do crime. O outro é Márcio dos Santos Ferreira (“Tetão”), suposto fornecedor de armas e carros para o atentado.
Entretanto, a letalidade das ações gerou reações na comunidade de Heliópolis. Moradores do local realizaram protestos contra as ações, bloquearam vias e fizeram barricadas.
Em pelo menos um dos casos de morte, a Polícia Militar voltou atrás e admitiu que uma pessoa morta não tinha relação comprovada com o crime contra Ronickson.
O que diz a SSP após um mês do caso
“O Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) mantém as investigações do atentado contra o Tenente PM Pimentel, ocorrido em 27 de junho, em São Caetano do Sul. Até o momento, quatro suspeitos de envolvimento no crime foram presos. Outras duas pessoas investigadas prestaram depoimento à polícia e foram liberadas. O autor dos disparos segue foragido, com prisão temporária decretada e difusão vermelha da Interpol. Abordagens que resultaram em confronto com infratores armados geraram a instauração imediata de inquéritos policiais civis e militares, com o devido acompanhamento do Ministério Público e da Justiça. Mais detalhes serão preservados para garantir autonomia ao trabalho policial.”