Aumento dos preços do café em julho foi uma surpresa para os produtores, especialmente considerando que o período coincide com o pico da safra brasileira. O café arábico apresentou um crescimento de 10,5% no mês, enquanto a variedade conilon, utilizada em grande parte para a produção de cafés solúveis, subiu 3% no mesmo período.
Esse aumento de preços parece contrariar a tendência histórica de queda durante os meses de junho, julho e agosto, quando a oferta do grão costuma ser maior. A repórter de Agro da CNN, Juliana Camargo, salienta que o encarecimento do produto tende a ser repassado ao longo da cadeia produtiva.
“Quando a indústria paga mais ao produtor rural, mesmo em um período que normalmente espera-se uma queda, esse aumento será repassado ao consumidor”, observou.
Chuvas e seus impactos na colheita do café
As chuvas que afetaram crucialmente as regiões produtoras, principalmente em Minas Gerais e interior de São Paulo, são apontadas como o principal fator por trás da valorização inesperada. Segundo Juliana, o presidente da Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), Márcio Ferreira, atribui o aumento aos altos níveis de precipitação, que atrasaram tanto a colheita quanto a secagem dos grãos.
As chuvas provocaram uma expectativa no mercado internacional de que o ritmo de entrega do produto brasileiro não atenderia às projeções. “Os aumentos começam na Bolsa Internacional de Nova York, seguem para os portos e são repassados aos produtores, o que afetará o consumidor”, explicou.
A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) prevê para o ano uma produção de 66 milhões de sacas, representando um crescimento de 18% em relação ao ciclo anterior, sendo 44 milhões de sacas de café arábico. Apesar desse panorama favorável, a expectativa de redução nos preços pode não se concretizar conforme o esperado pelos consumidores.
Juliana Camargo enfatizou que, no curto prazo, é provável que o café se torne mais caro ou que a esperada queda nos preços seja adiada.
Preocupações com a floração antecipada
Além dos efeitos imediatos sobre a colheita, as chuvas de julho trouxeram outro ponto de preocupação para os produtores. Foi relatado que as precipitações fora de época causaram floração antecipada nos cafezais.
Esse fenômeno deveria ocorrer naturalmente em setembro e outubro para garantir um desenvolvimento saudável dos frutos ao longo do ano. “Essas flores que estão surgindo agora podem enfraquecer e retirar um pouco da energia dos cafezais”, alertou.
O cenário climático atual também lembra eventos de 2024 e início de 2025, quando aspectos como o El Niño e quebras de safra resultaram em um aumento significativo do preço da saca no mercado internacional.
