Política

Eleição de 2026 é a primeira do século sem mulheres candidatas

A disputa pela Presidência da República em 2016 se destacou como a primeira deste século sem a presença de mulheres nas chapas dos principais partidos com representatividade no Congresso Nacional. Essa realidade é um indicativo claro da desigualdade de gênero persistente na política brasileira.

Desde 2002, pelo menos uma mulher sempre se candidatou ao Planalto ou participou da corrida pela vice-presidência em legendas que se mostraram competitivas. Contudo, na última quarta-feira (5), Flávio Bolsonaro, candidato pelo PL (Partido Liberal), anunciou a escolha do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice, consolidando a presença exclusivamente masculina na disputa. Assim, os seis principais candidatos em recentes pesquisas são todos homens, com chapas compostas apenas por outros homens.

Dentre as 13 candidaturas confirmadas até o momento, as únicas mulheres em competição integram chapas que possuem pouca ou nenhuma chance de sucesso, representando partidos sem relevância no Congresso.

Chapas presidenciais da eleição de 2016

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT) + Geraldo Alckmin (PSB)
  • Flávio Bolsonaro (PL) + Alfredo Gaspar (PL)
  • Ronaldo Caiado (PSD) + Gilberto Kassab (PSD)
  • Renan Santos (Missão) + Aroldo Medina (Missão)
  • Romeu Zema (Novo) + Eduardo Girão (Novo)
  • Augusto Cury (Avante) + Júlio Delgado (Avante)
  • Leonardo Avalanche (PRTB) + Tenente Dalma (PRTB)
  • Samara Martins (UP) + Raquel Brício (UP)
  • Edmilson Costa (PCB) + Cleusa Santos (PCB)
  • Rui Costa Pimenta (PCO) + Antônio Carlos Silva (PCO)
  • Hertz Dias (PSTU) + Vanessa Portugal (PSTU)
  • Clariana Barão (DC) + Fabiana Torquato (DC)
  • Wilson Grassi (Democrata) + vice ainda não definido

Historicamente, desde 2002, houve sempre a participação de pelo menos uma mulher entre os principais partidos. A edição de 2022 foi um marco nesse sentido.

O cenário de 2022 e a presença feminina

Na disputa de 2022, que resultou na eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foram registrados 13 candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dessas, pelo menos três partidos competitivos apresentaram mulheres: o MDB, a União Brasil e o PDT. As candidatas foram:

  • Simone Tebet (MDB) + Mara Gabrilli (PSB)
  • Ciro Gomes (PDT) + Ana Paula Matos (PDT)
  • Soraya Thronicke (União) + Marcos Cintra (União)

Essa presença feminina evidenciou um avanço, considerando o histórico de exclusão que caracterizou várias eleições anteriores.

Um panorama das eleições passadas

Em 2018, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi eleito, 14 candidaturas foram registradas. Naquele ano, quatro partidos competitivos incluíram mulheres como candidatas a vice, além de Marina Silva (Rede), que se lançou novamente à Presidência. Os candidatos foram:

  • Ciro Gomes (PDT) + Kátia Abreu (PDT)
  • Fernando Haddad (PT) + Manuela D’ávila (PCB)
  • Geraldo Alckmin (PSDB) + Ana Amélia Lemos (PP)
  • Guilherme Boulos (PSOL) + Sonia Guajajara (PSL)

Já em 2014, quando a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) foi reeleita, outras duas mulheres também participaram da disputa por partidos representativos:

  • Dilma Rousseff (PT) + Michel Temer (PMDB – antigo MDB)
  • Luciana Genro (PSOL) + Jorge Paz (PSL)
  • Marina Silva (PSB) + Beto Albuquerque (PSB)

A trajetória de Dilma, que foi a primeira mulher a assumir a Presidência do Brasil em 2010, marca um ponto crucial na política nacional. Naquele momento, ela era a única mulher considerada competitiva nos pleitos.

No contexto de 2006, o Brasil viveu uma eleição com oito candidaturas, das quais apenas dois partidos apresentaram mulheres entre seus candidatos. Eram elas:

  • Ana Maria Rangel (Republicanos) + Delma Gama
  • Heloísa Helena (PSOL) + César Benjamin (PSL)

Por fim, na eleição de 2002, a primeira deste século, apenas o PSDB teve uma mulher na chapa, demonstrando que, embora a presença feminina tenha evoluído ao longo das campanhas, ainda há um longo caminho a percorrer:

  • José Serra (PSDB) + Rita Camarata