A Orizon Valorização de Resíduos divulgou recentemente os resultados do segundo trimestre, apresentando um lucro líquido de R$ 6,3 milhões. Essa cifra representa uma queda significativa de 76,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar dessa desaceleração nos lucros, a empresa conseguiu um crescimento notável em sua receita operacional líquida, que subiu 134,5%, alcançando R$ 619,6 milhões. Além disso, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) teve um aumento considerável de 35,6%, totalizando R$ 170 milhões.
Em entrevista ao CNN Money, Milton Pilão, CEO da Orizon, explicou que a drástica redução no lucro foi atribuída a despesas não recorrentes relativas à aquisição da Vital, concluída em 11 de junho. “Se essas despesas não recorrentes estivessem fora do balanço, o lucro seria acima do que apresentamos em 2025 e no primeiro trimestre”, ressaltou Pilão. As despesas com assessoria, advocacia e auditoria geradas pela transação, avaliada em cerca de R$ 3 bilhões, impactaram diretamente o resultado, mas são consideradas extraordinárias e não devem se repetir nos próximos períodos.
Orizon se torna líder na valorização de resíduos
Com a incorporação da Vital, a Orizon agora gerencia 15,4 milhões de toneladas de resíduos anualmente e conta com cerca de 34% de participação de mercado no segmento de resíduos destinados a aterros. A empresa, que possui 30 ecoparques em 15 estados brasileiros, atende quase 40% da população do país. “A combinação dos ativos torna a Orizon a maior plataforma de valorização de resíduos da América Latina“, destacou Pilão. A expectativa para o terceiro trimestre é positiva, com a projeção de que a plataforma consolidada opere com uma receita ajustada líquida trimestral de R$ 1 bilhão e Ebitda ajustado de aproximadamente R$ 350 milhões.
Desalavancagem e perspectivas de crescimento
Outro aspecto relevante mencionado por Pilão foi a desalavancagem da companhia, que gerou uma redução da relação dívida líquida sobre Ebitda de 2,6 vezes para 1,8 vezes no trimestre. Esse índice tende a continuar em queda à medida que os ativos de biometano e energia se aproximam do início de suas operações nos próximos trimestres. A Orizon também tem um bônus de subscrição contratado de cerca de R$ 1 bilhão em novo equity previsto para o ano seguinte, reforçando sua capacidade de crescimento.
No segundo semestre, o CEO destacou a expectativa de que as plantas de biometano localizadas em Paulínia e Jaboatão, as maiores do país, operem em plena capacidade. Ele mencionou também o potencial do biometano como impulsionador da transição energética no Brasil. Um exemplo disso é a aquisição de 200 ônibus movidos a biometano pela cidade de São Paulo, que ilustra o avanço no setor. “Cada ônibus que você substitui de diesel por biometano significa 6.400 árvores plantadas naquele ano”, afirmou.
Aquisições futuros e estratégias da Orizon
A Orizon também está atenta a novas oportunidades de aquisições, com previsões de movimentações inorgânicas nos próximos meses. Esse interesse em expandir sua atuação no mercado de valorização de resíduos coincide com a estratégia da empresa de se estabelecer como líder de mercado na América Latina. A combinação de ativos adquiridos não apenas fortalece a posição da Orizon, mas também contribui para avanços na sustentabilidade e gestão de resíduos no Brasil.
A empresa, portanto, se posiciona não apenas como um player econômico, mas também como um agente de transformação ambiental, utilizando tecnologia e inovação para manejar de maneira eficaz os resíduos e contribuir para um futuro mais sustentável. É um momento decisivo para a Orizon, que, com suas novas operações e projetos, poderá não só aumentar sua rentabilidade, mas também desempenhar um papel fundamental na transição energética e na melhoria da gestão de resíduos no Brasil.
