A advogada norte-americana Sophie*, de 57 anos, que denunciou ter sido estuprada por um funcionário do hotel Blue Tree Paulista, em São Paulo, passou por uma longa internação em uma clínica psiquiátrica nos Estados Unidos após o crime. A violência sexual ocorreu em 27 de setembro de 2024, quando ela estava hospedada na capital paulista a trabalho.
Segundo documentos anexados ao processo, Sophie ficou 26 dias internada para tratar um quadro de depressão e ansiedade severas decorrentes do trauma. A vítima relatou ainda que, desde o episódio, continua sob acompanhamento médico e psicológico. “Até hoje estou sob os cuidados de um terapeuta e de um médico, ambos monitorando minha saúde mental e física”, declarou.
O caso, que tramita em segredo de Justiça, resultou em denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) contra o funcionário de 19 anos, que se tornou réu por estupro. A audiência de instrução está marcada para janeiro de 2026, na 11ª Vara Criminal do Foro Central da Barra Funda.
A defesa do acusado alega inocência, sustentando que o ato teria sido consensual e que há contradições nos depoimentos da vítima. O jovem, segundo seus advogados, “sempre colaborou com as investigações e segue à disposição da Justiça”.
A rede Blue Tree Hotels informou, em nota, que não tolera condutas impróprias em seus empreendimentos e que o funcionário foi imediatamente desligado após a denúncia. Os representantes jurídicos da empresa afirmaram ainda que colaboram integralmente com as autoridades.
Relembre o caso
De acordo com o inquérito policial, Sophie estava hospedada no hotel Blue Tree Paulista, na Rua Peixoto Gomide, e decidiu fazer a refeição no quarto na noite do crime. Sem conseguir se comunicar com a recepção — já que o atendente não falava inglês —, desceu até o bar para pedir o jantar e uma garrafa de vinho.
O funcionário, de 19 anos, se ofereceu para levar a bebida até o quarto. No depoimento, Sophie contou que, ao chegar ao cômodo, o rapaz se aproximou repentinamente, a abraçou, beijou à força e a empurrou sobre a cama, ignorando suas tentativas de se desvencilhar. “Ele se tornou muito agressivo e eu disse ‘não’ várias vezes, mas ele não parou”, relatou.
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) confirmou presença de espermatozoides nas regiões vaginal e anal e constatou lesões leves nos braços e pernas da vítima. Imagens das câmeras de segurança do hotel também registraram o momento em que o funcionário entrou no quarto e permaneceu ali por aproximadamente nove minutos, saindo em seguida enquanto ajeitava as roupas.
Após a agressão, Sophie enviou uma mensagem a seu diretor — que também participava da viagem — relatando o ocorrido. Ele foi até o hotel acompanhado de uma colega que falava português e tentou acionar a polícia. A vítima afirmou que o staff do hotel se recusou a prestar assistência e teria dito que “não podia chamar a polícia”.
De volta ao Kansas, nos Estados Unidos, Sophie se afastou do trabalho por cinco semanas e iniciou tratamento intensivo para lidar com o trauma. Sua advogada no Brasil, Maria Tereza Novaes, informou que ingressará com uma ação indenizatória de U$ 150 mil (cerca de R$ 800 mil) contra a rede hoteleira, pelos danos físicos e emocionais sofridos.
O processo criminal segue em andamento e deve entrar na fase de depoimentos no início de 2026.