Polícia

Advogado de Deolane rebate críticas e explica confronto do século

Advogado de Deolane rebate críticas e explica confronto do século

O advogado criminalista Aury Lopes Jr., que passou a integrar a defesa da influenciadora e advogada Deolane Bezerra, utilizou as redes sociais para comentar a repercussão do caso e rebater críticas recebidas após assumir a representação da investigada.

Em vídeo publicado em seu perfil, o professor penalista afirmou estar acostumado a atuar em processos de grande repercussão e defendeu a importância de compreender o papel constitucional da advocacia criminal.

“Estou nessa vida há 32 anos. Já trabalhei em muitos casos, com mais mídia, menos mídia, clientes mais expostos, menos expostos. Isso é uma coisa que a gente está acostumado a lidar”, disse.

Um dos principais pontos abordados por Aury foi a reação de parte do público à sua atuação no caso. Segundo ele, críticas direcionadas à defesa revelam incompreensão sobre o papel exercido por advogados em processos criminais. O criminalista também ressaltou que a atuação profissional não deve ser confundida com eventual concordância com as condutas atribuídas ao cliente.

“O fato de eu defender alguém significa apenas que eu estou fazendo o direito de defesa que ela tem, todo o direito fundamental de ter. Não se pode confundir a figura do advogado com a figura do cliente”, declarou.

Aury afirmou ainda que, ao longo da carreira, participou de processos envolvendo acusações graves e que, em alguns casos, pessoas inicialmente condenadas pela opinião pública acabaram absolvidas pela Justiça.

Durante o vídeo, Aury também comentou as críticas que vem recebendo nas redes sociais desde que assumiu a defesa de Deolane. Sem citar nomes, o criminalista classificou parte dos ataques como infundados e afirmou que muitas manifestações partem de pessoas que desconhecem os detalhes do caso e do processo penal.

Por outro lado, agradeceu manifestações de apoio de alunos, leitores e seguidores que acompanham sua trajetória acadêmica e profissional. Segundo ele, o apoio recebido nas redes tem sido importante diante da repercussão do caso.

“Eu fico muito feliz quando vejo as pessoas me defendendo e dizendo: ‘você não sabe o que está falando’ para quem faz críticas sem conhecer o processo”, disse.

Reação às Críticas e o Papel da Defesa

Outro tema comentado pelo advogado foi a repercussão de publicações nas redes sociais que passaram a retratar sua atuação como uma espécie de embate pessoal com o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, um dos principais nomes do Ministério Público no combate ao PCC. Nas últimas semanas, vídeos, montagens e postagens passaram a tratar a disputa judicial envolvendo o caso como um suposto “confronto do século” entre defesa e acusação. Aury rejeitou a narrativa.

“Eu não achei legal muitas montagens que fizeram ali, do confronto da década, do século, nem sei de quantos anos é o confronto”, afirmou.

Segundo ele, a relação entre defesa e acusação é estritamente profissional.

“Eu estou fazendo meu trabalho, ele está fazendo o dele. Ele é um cara competente, sério, está nessa luta há muito tempo. A polícia também. Todos aqui estão trabalhando. Não existe esse confronto.”

O advogado acrescentou que sequer sabe se haverá encontro direto entre ele e o promotor durante o processo, já que questões relacionadas à competência da investigação ainda podem alterar o rumo do caso. “Não existe essa personalização”, afirmou.

Tentativa de Reverter a Prisão de Deolane

A entrada de Aury Lopes Jr. ocorre em meio à tentativa da defesa de reverter a prisão preventiva de Deolane. A influenciadora é investigada na Operação Vérnix, que apura suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao PCC.

Nos últimos dias, a defesa sofreu reveses no Tribunal de Justiça de São Paulo e no Supremo Tribunal Federal, mas continua buscando medidas para contestar a prisão e os elementos apresentados pela investigação. Ao final do vídeo, Aury afirmou que continuará atuando normalmente no caso e fez uma defesa do papel da advocacia criminal.

“Ninguém está livre de precisar de um advogado. Vamos respeitar.”

Veja o Pronunciamento na Íntegra

Não vai falar nada, profe? Faz horas que está sumido. É, estou numa correria, né? Vocês podem imaginar o que que tem sido. Estou aqui na UNB, tem uma palestra, mas claro, de vez em quando eu dou uma olhada ali no Instagram e cara, vamos deixar bem claro o seguinte: Eu estou nessa vida há 32 anos, eu não nasci agora nesses casos humorosos, já trabalhei em muitos casos, com mais mídia, menos mídia, clientes mais expostos, menos expostos. Então isso é uma coisa que a gente está acostumado a lidar.

Agora duas coisas tem me incomodado muito nesse, nesse festival todo que tem se feito em termos de Instagram e mídias, outras coisas boas, mas algumas coisas ruins. Primeiro é entender o seguinte, é compreender o lugar da defesa, sabe? Regra do jogo vale para todo mundo, para quem vocês gostam, mas principalmente para quem vocês não gostam. E outra, o fato de eu defender alguém significa apenas que eu estou fazendo o direito e defesa, que ela tem todo o direito fundamental de ter. E mais, né?

Não se pode confundir a figura do advogado com a figura do cliente, que é um outro erro crasso. E eu já cansei de defender as vezes pessoas acusadas de crimes muito graves que eram defenestradas e depois se absolveu, entendeu? Então, calma. Segundo ponto é respeitar quem tá trabalhando. Primeiro ponto, eu não achei legal muitas montagens que fizeram ali, ah, do confronto da década, do século, nem sei de quantos anos é o confronto, eu e o promotor, Dr. Gaquia.

Amigão, eu tô fazendo meu trabalho, ele tá fazendo o dele, ele é um cara competente, sério, tá nessa luta há muito tempo, a polícia também bem, todos aqui trabalhando. Não existe esse confronto, entendeu? Eu não sei nem se a gente vai se encontrar em audiência porque esse processo pode tomar rumos de competência, alterar. Isso não abala nada, somos profissionais. Ele faz o trabalho dele, eu faço o meu e não existe esse tipo de coisa. Eu acho Eu não acho nem salutar quando se personaliza. Não existe essa personalização, entenderam?

Outra coisa que eu tenho achado muito chato, tem sido críticas totalmente infundadas que tem que eu tenho lido, sabe? De gente que não entende nada, que chegou ontem aqui, enfim, né? Mas por outro lado, eu vim aqui para agradecer. Agradecer imensamente ao meu foi clube, que, cara, eu tenho ficado até emocionado de ver a defesa de gente que me conhece, conhece minhas obras, que conhece a minha história. Tem gente que coloca lá: “Eu tô aqui desde que isso aqui tudo era mato”, né? Quer dizer, gente que veio desde o início, desde Facebook, desde 2000 e quá, quá, quá com o livro e tem me defendido e eu acho isso muito legal.

Nunca tem sido, sabe, nunca, nunca precisei tanto dessa defesa, porque eu não vou ficar respondendo a ataque de gente medíocre, sabe, crítico, imbecil, não não dou palco para mediocridade, nem holofote para louco, né? já falei isso em outros casos, mas às vezes eu leio, digo: “Meu, o cara não sabe nada, nem do processo, nem de processo e nem de mim” e fica me detonando. E aí eu fico muito feliz quando eu vejo o meu fã clube atuante indo lá, me defendendo, dizendo: “Não, meu, não é isso, você não sabe o que tá falando”. Tá bom?

Então assim, ó, tô sumido porque eu tô correndo, mas não me deslumbro com esse tipo de coisa. Tô nessa vida há muito tempo em casos mais rumorosos, menos rumorosos e eu vou continuar aqui fazendo o que eu sei fazer, que é a defesa. E mais, não esqueça, ninguém tá livre de precisar de um advogado. Vamos respeitar.