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Alceu Valença chega aos 80 anos com turnê e energia contagiante

Natural de São Bento do Una, cidade do agreste pernambucano, Alceu Valença completa 80 anos com o mesmo espírito jovial que o destacou na cena da música popular brasileira. Desde os anos 1970, suas composições se popularizaram por misturar influências do frevo, forró, maracatu e xote, uma sonoridade que celebra a diversidade do Nordeste brasileiro. O artista se destacou por “eletrificar” os regionalismos tradicionais com guitarras elétricas e harmonia com zabumbas e sanfonas.

O artista cresceu cercado pelas referências musicais de Pernambuco, sobretudo ao se mudar para a capital, Recife, aos 10 anos de idade. Lá, uniu o frevo e o maracatu ao rock emergente de Little Richard, cantor, compositor e pianista estadunidense. Sua primeira apresentação profissional relevante aconteceu no show experimental Erosão: a Cor e o Som, em que já misturava ritmos regionais com guitarras elétricas.

No entanto, antes de deslanchar na música, Alceu Valença se formou em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco e chegou a ganhar uma bolsa, em 1965, para um curso de três meses na Universidade de Harvard. Lá, aproximou-se dos estudantes, conheceu os hippies e chegou a acompanhar reuniões dos Panteras Negras, em Boston. O contato com a contracultura dos anos 1970 o inspirou a trazer a psicodelia para a arte brasileira.

Em plena ditadura militar, Alceu subiu ao palco no Festival Internacional da Canção de 1972, celebrando artistas como Geraldo Azevedo e Jackson do Pandeiro. Com Geraldo, lançou seu primeiro álbum, conhecido como “Quadrafônico”. Em seus lançamentos seguintes, o artista inovou ao tornar a psicodelia um caminho para dar destaque à cultura nordestina tradicional. Desta fusão nasceram as produções, álbuns “Molhado de Suor” (1974), seu primeiro álbum solo, o emblemático “Vivo!” (1976) e “Espelho Cristalino” (1977).

Já estabelecido no Rio de Janeiro, o artista chamou a atenção do público jovem e da crítica ao defender a música “Vou Danado Pra Catende” no festival Abertura da TV Globo. O diretor musical da emissora na época, Guto Graça Mello, incluiu música de Alceu na antológica trilha sonora da novela “Gabriela”, exibida em 1975.

Nos anos seguintes, suas composições conquistaram grupos de diferentes gerações, sagrando o artista como um dos maiores nomes da música popular brasileira. Canções como “Anunciação”, “Tropicana (morena tropicana)”, “La belle de jour” e “Girassol” estão entre as 316 músicas registradas em seu nome, sendo a primeira a mais tocada, somando mais de 197 milhões de reproduções apenas no Spotify.

Comemorações pelos 80 anos de Alceu Valença

Alceu Valença está em turnê pelo Brasil desde março com o show “80 girassóis”, criado para celebrar as oito décadas de vida do artista com o retrospecto da obra. Ele se declara um “discípulo do rei Luiz Gonzaga” (1912 – 1989), figura tida como o maior representante da música nordestina no Brasil e no mundo.

O título faz alusão às suas oito décadas de vida, girando de forma solar, enérgica e renovada em torno da música, além de uma de suas faixas mais famosas, “Girassol”. A série de apresentações estreou no Rio de Janeiro em março e inclui na lista São Paulo, Salvador, Florianópolis, Curitiba, Brasília, Recife, Fortaleza, Belém e Belo Horizonte.

A turnê não se restringe aos shows. Algumas das cidades por onde ela passar também receberão exposições de artes plásticas e sessões de filmes. Alceu destacou que é cineasta e já fez participações como ator em diversas produções. “Fiz o papel principal no filme de Sérgio Ricardo [também cantor e compositor] ‘A Noite do Espantalho’. Depois, fiz um filme chamado ‘A Luneta do Tempo’”, contou em entrevista à Agência Brasil.

O cantor acrescentou que tem um acervo grande de filmes realizados em diversos países, como França, Alemanha, Suíça, Portugal, Espanha, Estados Unidos e Brasil: “Sempre gostei da arte de cinema e levava câmeras comigo. Tenho muita coisa. São outras partes do meu trabalho. Não é só a música. É a trajetória”, declarou.

Homenagem em Olinda: Alceu Valença e sua trajetória

Nesta quarta-feira (1º), o artista está em Olinda para receber homenagem em cortejo carnavalesco do tradicional bloco Pitombeira. Fundada em 1946, a Pitombeira dos Quatro Cantos promove a saída comemorativa dos 80 anos de vida do cantor e compositor olindense. Um dos momentos mais aguardados da noite será o encontro entre a Pitombeira e Alceu Valença, na Estação da Luz, celebrando duas histórias que ajudaram a construir e fortalecer a identidade cultural de Pernambuco.

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