Prometido originalmente para a Copa do Mundo de 2014, o monotrilho da Linha 17-Ouro, em São Paulo, finalmente se aproxima de sua conclusão. De acordo com o diretor de engenharia e planejamento do Metrô, Roberto Torres, o sistema está com 90% das obras finalizadas e deve iniciar operação em março de 2026 — mais de uma década depois do prazo inicial. A nova linha vai conectar o Aeroporto de Congonhas à rede metroferroviária da capital paulista, com integração às Linhas 5-Lilás e 9-Esmeralda.
Atualmente, os trabalhos se concentram na finalização de acabamentos, instalação de sistemas e testes técnicos nas oito estações da primeira fase do projeto. Nas plataformas, já é possível observar placas, escadas rolantes em funcionamento, portas de segurança instaladas e equipes realizando os ajustes finais para a abertura ao público.
“O nosso cronograma está mantido. As obras estão cerca de 90% concluídas e o foco agora é garantir a operação segura e eficiente”, afirmou Torres. A linha será inaugurada de forma gradual, em uma fase de “operação controlada”, com horários limitados e viagens monitoradas para entender o perfil dos passageiros antes da operação plena, prevista para o segundo semestre de 2026.
O projeto da Linha 17-Ouro passou por uma longa trajetória de paralisações, mudanças contratuais e aumento de custos. Concebida há mais de 15 anos, a linha deveria ter 18 quilômetros, ligando o Jabaquara à região do Morumbi, mas acabou reduzida a 7,7 quilômetros nesta etapa inicial. Em setembro de 2025, o governo do estado autorizou um novo aditivo de R$ 30 milhões à construtora responsável, com a promessa de não haver novos atrasos.
Outro destaque é a modernização do sistema de bilhetagem: nenhuma das estações contará com bilheteria física. Os passageiros terão à disposição totens de autoatendimento e integração digital com cartões de transporte. Os antigos espaços para bilheterias, previstos no projeto inicial, foram mantidos, mas não serão utilizados.
Dos 14 trens planejados, seis já chegaram ao pátio Água Espraiada, na Zona Sul. Cinco deles passaram por testes noturnos e seguem protegidos com plástico nos assentos e pisos. Cada composição poderá transportar até 616 passageiros e conta com sistema automático de operação — embora, no início, condutores estejam a bordo para garantir a segurança. Os trens também possuem baterias de emergência que permitem a conclusão do trajeto mesmo em caso de apagão.
As oito estações da Linha 17-Ouro são: Washington Luís, Aeroporto de Congonhas, Brooklin Paulista, Vereador José Diniz, Campo Belo, Vila Cordeiro, Chucri Zaidan e Morumbi. A expectativa do Metrô é que cerca de 30 mil pessoas utilizem diariamente a conexão com a Linha 5-Lilás, facilitando o deslocamento na Zona Sul e desafogando parte do tráfego em vias como a Marginal Pinheiros e a Avenida Jornalista Roberto Marinho.
Depois de anos de promessas e reviravoltas, o monotrilho da Linha 17-Ouro se aproxima, enfim, de sair do papel e se tornar realidade para os paulistanos — ainda que com 12 anos de atraso.