Justiça

Após decisão do TRF-1, dono do Banco Master deixa CDP de Guarulhos sob monitoramento eletrônico

O banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, deixou o Centro de Detenção Provisória 2 de Guarulhos na manhã deste sábado (29), pouco depois das 11h40, após uma decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região determinar sua soltura e a de outros quatro executivos ligados à instituição financeira. A saída do empresário foi registrada por equipes de reportagem, que o flagraram vestindo boné e camiseta branca, acompanhado de seus advogados e já utilizando a tornozeleira eletrônica imposta como medida cautelar.

Vorcaro havia sido preso no último dia 17, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar para Dubai. Desde então, permaneceu detido inicialmente na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo e, posteriormente, transferido para o CDP de Guarulhos no início da semana. A Secretaria da Administração Penitenciária confirmou oficialmente sua libertação, bem como a dos demais executivos investigados.

A decisão que revogou a prisão foi assinada pela desembargadora Solange Salgado da Silva, que considerou que, embora o caso envolva valores expressivos e suspeitas graves, medidas alternativas, como monitoramento eletrônico e restrições de contato, são suficientes no momento para garantir o andamento das investigações e evitar qualquer risco de fuga.

Além de Vorcaro, foram liberados Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e sócio do banco; Luiz Antônio Bull, diretor de diversas áreas estratégicas; Alberto Felix de Oliveira Neto, responsável pela Tesouraria; e Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, também sócio do Master. A decisão impõe aos cinco o comparecimento periódico à Justiça, proibição de deixar suas cidades sem autorização judicial e restrição de contato com outros investigados, testemunhas e funcionários do Banco Master e do BRB. O grupo seguirá ainda sem acesso aos passaportes.

A defesa do banqueiro também apresentou um recurso ao Supremo Tribunal Federal questionando a competência da Justiça Federal de Brasília para conduzir o caso. O pedido foi distribuído ao ministro Dias Toffoli, ainda sem prazo definido para julgamento. Os advogados argumentam que não há elementos concretos que indiquem risco de interferência na investigação ou repetição dos crimes apontados, lembrando que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master, afastando Vorcaro e os demais gestores de qualquer influência na instituição.

A Operação Compliance Zero, que levou às prisões há dez dias, apura um esquema bilionário de fraude envolvendo a venda de títulos falsos ao Banco de Brasília. As investigações apontam que o Master oferecia CDBs com rendimento muito acima da média do mercado, usando esses papéis para captar recursos de forma irregular. De acordo com a Polícia Federal, o esquema pode ter movimentado até R$ 12 bilhões, motivando a intervenção do Banco Central, que determinou a liquidação da instituição e a indisponibilidade dos bens de seus controladores.

O caso segue avançando com a análise dos documentos apreendidos e a oitiva de investigados e testemunhas. Enquanto isso, os executivos permanecerão monitorados, sob rígido controle judicial, até que novas decisões sejam tomadas no curso da investigação.