A explosão que destruiu uma casa usada como depósito clandestino de fogos de artifício na Rua Francisco Bueno, no Tatuapé, Zona Leste de São Paulo, na noite de quinta-feira (13), deixou um rastro de devastação que vai além dos danos materiais. Entre as famílias que tiveram imóveis interditados e parentes feridos, cresce a angústia pelo desaparecimento de animais de estimação que fugiram em meio ao pânico causado pelo estrondo e pelo deslocamento de ar.
O acidente, que matou um homem e deixou ao menos dez pessoas feridas, provocou desabamentos parciais, explosões secundárias e fez com que diversos pets — principalmente cães e gatos — escapassem aterrorizados das residências. Desde a manhã desta sexta-feira (14), moradores percorrem a região com fotos, cartazes improvisados e pedidos de ajuda para encontrar seus animais.
Uma das situações mais delicadas é a da família de dona Irene, mãe do proprietário de uma casa vizinha ao imóvel que explodiu. O cão da família, Fred, de cinco anos, desapareceu logo após o impacto. Ela relata que o neto, que também estava na residência no momento da explosão, está inconsolável com a perda do animal e com o estado de saúde da mãe, que permanece internada na UTI. A mulher sofreu cortes profundos no rosto causados por estilhaços de vidro e bateu a cabeça durante o impacto, sendo socorrida às pressas.
Dona Irene fez um apelo emocionado para que moradores da região ajudem a localizar o cachorro, muito querido pela família:
“Se alguém viu o Fred, por favor, entre em contato. Ele fugiu na confusão. O meu neto está desolado, a mãe dele na UTI e o cachorrinho desaparecido. Qualquer informação ajuda.”
Outro relato comovente é o de Sandra Souza, cozinheira que perdeu sua gata Mia. Com a casa totalmente interditada pela Defesa Civil, ela relata que conseguiu resgatar dois cachorrinhos, mas a gata — listrada e parda, descrita como “parecida com uma onça” — desapareceu. Desnorteada, Sandra afirma não saber se o animal fugiu ou se pode ter sido atingido por destroços no momento da explosão:
“Estou sem chão. A Mia sumiu e não sei nem por onde começar.”
Além do drama dos animais desaparecidos, os moradores afirmam que desconheciam que o imóvel destruído servia de depósito ilegal de fogos de artifício. O homem que ocupava a casa havia alugado o espaço três meses antes e, segundo vizinhos, movimentava caixas com frequência, mas nada que levantasse suspeitas sobre o conteúdo explosivo armazenado ali.
A explosão, registrada por volta das 19h45, pôde ser sentida em prédios e quarteirões distantes. Moradores relataram clarões intensos, janelas estilhaçadas e uma nuvem de fumaça que tomou conta da rua. No total, 23 casas foram interditadas pela Defesa Civil por risco estrutural, e equipes dos Bombeiros e da Polícia Científica seguem trabalhando entre os escombros para identificar a vítima e recolher materiais explosivos remanescentes.
Para muitos moradores, a noite de quinta-feira se transformou em um episódio traumático que ainda não chegou ao fim. Sem acesso às casas, com parentes feridos e animais desaparecidos, a comunidade agora tenta se reorganizar, enquanto aguarda respostas sobre as causas da explosão que alterou a rotina e a vida de dezenas de famílias.