A manhã da última terça-feira (21) foi de caos para milhares de passageiros da Linha 4-Amarela do metrô de São Paulo. Uma falha no sistema de sinalização da concessionária ViaQuatro comprometeu a operação desde as primeiras horas do dia, provocando longos intervalos entre trens, plataformas lotadas e demora na chegada dos ônibus do sistema PAESE. Nesta quarta-feira (22), a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) anunciou que vai abrir uma investigação para apurar as causas e eventuais responsabilidades pelo colapso no serviço.
O problema teve início por volta das 4h40, no início da operação comercial, e só foi totalmente solucionado às 11h30. Durante esse período, enquanto a ViaQuatro informava oficialmente que os trens circulavam com intervalos maiores, diversos passageiros relataram que as composições ficaram completamente paradas por até uma hora em algumas estações. Muitos relataram confusão nas orientações dadas por funcionários da concessionária, que em alguns casos afirmavam que o serviço havia sido interrompido, o que agravou ainda mais o tumulto nas plataformas.
A operação emergencial de ônibus (PAESE), acionada para atender o trecho afetado, também demorou a entrar em funcionamento. De acordo com a ViaQuatro, o pedido de apoio à SPTrans foi feito às 4h55, mas as primeiras unidades só chegaram às estações por volta das 6h20. Imagens aéreas registradas pelo Globocop mostraram longas filas, correria e empurra-empurra entre os passageiros que tentavam embarcar nos coletivos substitutos.
Em nota, a Artesp afirmou que já solicitou à concessionária um relatório técnico detalhado sobre a ocorrência, com as causas do incidente, as medidas adotadas para minimizar os danos e o plano de prevenção para evitar novas falhas. “A Agência analisará tecnicamente os dados e, se constatado o descumprimento contratual, instaurará processo sancionatório para aplicação de multas”, declarou o órgão regulador. A Artesp também destacou que, nos últimos três anos, cerca de 60% dos casos analisados resultaram em penalidades às concessionárias, reforçando o compromisso com a segurança e a qualidade do transporte metroviário.
Por sua vez, a ViaQuatro afirmou, também por meio de nota, que lamenta os transtornos e nega ter interrompido totalmente a operação em qualquer momento da manhã. Segundo a empresa, “as equipes atuaram para controlar o fluxo de pessoas, inclusive com o fechamento temporário de transferências para garantir segurança e fluidez”. A concessionária reconheceu que alguns agentes podem ter informado de forma equivocada sobre a paralisação dos trens, mas atribuiu o problema à necessidade de conter a superlotação nas plataformas.
Mais de 100 profissionais das áreas de controle, manutenção e operação teriam sido mobilizados desde o início da falha, de acordo com a empresa. Apesar dos esforços, o episódio reacendeu críticas sobre a confiabilidade do sistema metroviário operado por concessão privada e a efetividade da comunicação com os usuários em momentos de crise. A investigação da Artesp deve indicar, nas próximas semanas, se houve negligência ou falhas contratuais por parte da ViaQuatro.