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Benedito Ruy Barbosa morreu de insuficiência renal crônica: Entenda

Benedito Ruy Barbosa morreu de insuficiência renal crônica: Entenda

O renomado escritor e autor de novelas Benedito Ruy Barbosa faleceu aos 95 anos, em São Paulo, na manhã desta terça-feira (7). Sua morte foi causada por complicações de IRC (insuficiência renal crônica), conforme informado pelo HCor (Hospital do Coração), onde o dramaturgo estava internado.

A IRC se caracteriza pela perda progressiva e irreversível da função renal ao longo do tempo. Benedito lutava contra essa condição havia três anos e tinha um histórico de internações devido a infecções do trato urinário.

Em decorrência da doença, os rins perdem a capacidade de filtrar resíduos, resultando no acúmulo de toxinas no organismo. Com o avanço da IRC, os sintomas podem incluir fadiga, inchaço nas pernas, náuseas, alterações na urina, anemia e hipertensão.

Conforme o Ministério da Saúde, a evolução da doença renal crônica é geralmente assintomática, o que leva a diagnósticos tardios. “Os rins são essenciais para o funcionamento do corpo, pois filtram o sangue e ajudam na eliminação de toxinas. A doença renal crônica é silenciosa, não apresenta sintomas e tem aumentado sua prevalência, resultando em alta mortalidade e custos elevados para os sistemas de saúde globalmente”, explica o órgão.

Em janeiro deste ano, Benedito, que tinha 94 anos na época, recebeu alta após ser hospitalizado por complicações relacionadas a uma infecção urinária associada à insuficiência renal crônica.

Legado de Benedito Ruy Barbosa

Benedito Ruy Barbosa ficou conhecido por sua vasta trajetória na televisão brasileira, com novelas icônicas como “Rei do Gado”, “Terra Nostra”, “Pantanal” e “Renascer”, todas transmitidas pela TV Globo.

Nos seus últimos anos, Benedito se aposentou da carreira de escritor, mas deixou um rico legado nas mãos de suas filhas, Edmara e Edilene Barbosa, e de seu neto, Bruno Luperi, que seguem na profissão como roteiristas.

O dramaturgo nasceu no dia 17 de abril de 1931, na cidade de Gália, interior de São Paulo, sendo o mais velho de cinco irmãos. Sua infância foi marcada pela convivência em áreas de cafezais na cidade vizinha, Vera Cruz, onde teve contato com imigrantes japoneses e italianos. Esse cenário se refletiu em sua obra, especialmente na novela “O Rei do Gado”, de 1996, ambientada nas fazendas de café.

Otávio Barbosa, pai de Benedito Ruy Barbosa, fundou e dirigiu o jornal “A Voz de Vera Cruz”, até falecer aos 29 anos em 1942. A perda do pai foi um divisor de águas na vida do autor, que precisou assumir responsabilidades precoces, trabalhando ainda menino como auxiliar de guarda-livros na firma comercial Antônio Perez.

Decidido a conquistar novos horizontes, Benedito se mudou sozinho para São Paulo, onde buscou melhores oportunidades e começou a estudar à noite, enquanto trabalhava de dia em um escritório.

Início da Carreira

Ele conseguiu trazer a família para a capital e viver com eles no bairro Bom Retiro. Nessa época, completava a renda vendendo verduras em feiras e como faxineiro em um banco.

Com conhecimento em contabilidade, Benedito conquistou emprego no Banco de Boston, mas preferiu se aventurar em um escritório da comercial Antônio Perez em Maringá, no Paraná, onde se inspirou para seu primeiro romance, “Fogo Frio”.

A história foi transformada em peça de teatro após convite de Oduvaldo Viana Filho, em 1959. “Fogo Frio” retratou a realidade dos cafezais que foram devastados por uma grande geada em 1952, algo que tocou profundamente o autor, que se impressionou com a beleza do verde coberto por geada.

Contribuições e Novelas de Sucesso

Benedito Ruy Barbosa iniciou sua trajetória nas novelas na década de 1960, com obras como “Somos Todos Irmãos” e “O Anjo e o Vagabundo”, de 1966, ambas exibidas na extinta TV Tupi.

Sua chegada à TV Globo ocorreu em 1971, com “Meu Pedacinho de Chão”, inspirado por sua infância no ambiente rural. Durante a ditadura militar, enfrentou desafios de censura, mas conseguiu manter a essência de sua obra.

O sucesso na Globo se consolidou em 1976 com “O Feijão e o Sonho”, seguido por “À Sombra dos Laranjais” (1977) e “Cabocla” (1979). Outros títulos memoráveis incluem “Paraíso” (1982), “Voltei pra Você” (1983), “De Quina pra Lua” (1985), “Sinhá Moça” (1986), “Vida Nova” (1988), “O Rei do Gado” (1996) e “Terra Nostra” (1999).

A última obra original de Benedito na Globo foi “Velho Chico”, que retratou a região do rio São Francisco, exibida em 2016.

Além das histórias rurais, Benedito sempre teve um grande apreço por narrativas de imigração e romances. “Uma novela deve ter uma grande história de amor”, comentou sobre os protagonistas Matteo e Giuliana, de “Terra Nostra”.

Ele também atuou como repórter e revisor em diversos jornais, como “O Estado de S. Paulo” e “Última Hora”, além de realizar trabalhos em publicidade.

Novas Versões de Suas Obras

O impacto das novelas de Benedito Ruy Barbosa foi tão grande que muitas receberam remakes na TV Globo. “Cabocla” foi adaptada em 2004, seguida por “Paraíso”, que teve nova versão em 2009.

A novela “Pantanal”, que estreou na Rede Manchete em 1990, foi reinterpretada em 2022, com a inclusão de atores da versão original, como Marcos Palmeira, sob a assinatura de Bruno Luperi.

O clássico “Renascer” também ganhará nova versão em 2024, novamente escrita por Luperi, com o ator Marcos Palmeira em um dos papéis principais.

*Com informações de Marina Toledo, da CNN Brasil

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