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Bons projetos de PPPs devem considerar viabilidade para sucesso

O futuro das concessões rodoviárias no Brasil está em um período de análise e expectativa. O setor, que busca aprimorar a infraestrutura nacional, observa atentamente a programação de leilões agendados para 2026, que trazem consigo desafios e incertezas. Um dos pontos críticos é que aproximadamente 85% dessas licitações estão marcadas para o segundo semestre do ano, uma fase coincidindo com o calendário eleitoral. Essa junção pode gerar descontinuidades nos projetos já planejados e nas expectativas de investimento.

Desafios e Expectativas dos Leilões de Concessão

Para alcançar a meta de 13 leilões até o fim deste ano, o governo federal precisa realizar, em média, duas disputas mensais. Até agora, somente duas concessões rodoviárias foram fechadas, e espera-se que os leilões sejam retomados em julho, começando pela concessão da rodovia Régis Bittencourt, que liga os estados de São Paulo e Paraná. Esses projetos têm potencial para mobilizar mais de R$ 400 bilhões em investimentos ao longo da próxima década.

A Influência Política e a Segurança Jurídica

Em entrevista ao CNN Money, Luís Fernando Parma, do Instituto I4 Brasil, destacou que a agenda de parcerias público-privadas (PPPs) e concessões ainda é impactada por elementos ideológicos, especialmente no nível federal. Apesar de mais de 20 anos de experiência com a legislação de PPPs no Brasil, as decisões continuaram sendo afetadas por disputas políticas.

Parma observa que setores como rodovias, energia, portos e aeroportos geralmente estão menos expostos à interferência política. Em contrapartida, iniciativas em níveis estadual e municipal são frequentemente permeadas por considerações políticas. Ele enfatiza que a discussão sobre concessões precisa transcender as divisões partidárias, focando na criação de um ambiente regulatório que proporcione estabilidade. Com contratos de longa duração de 20 a 35 anos, a segurança jurídica é essencial para atrair investimentos privados.

Melhorando a Competitividade e Reduzindo Déficits

Segundo Parma, a falta de previsibilidade nas regras ainda é um desafio significativo. A insegurança jurídica pode afastar investidores que, embora possuam a capacidade operacional e financeira, hesitam em participar dos leilões. Um ambiente regulatório mais sólido seria um motor para a entrada de novos concorrentes, aumentando a competitividade e favorecendo melhores condições nos investimentos e na execução das obras.

As parcerias público-privadas são vistas como instrumentos eficazes para minimizar o histórico déficit de infraestrutura do Brasil. Parma ressalta a importância de que projetos tenham viabilidade em termos financeiros, econômicos, orçamentários, técnicos e ambientais, bem como aproveitem a experiência do setor privado na execução, operação e manutenção de ativos significativos.

Adicionalmente, ele destaca que o investimento em infraestrutura no Brasil, em proporção ao PIB, ainda está abaixo da média de outros países em desenvolvimento. Essa defasagem contribui para um colapso de diferentes ativos essenciais. Diante desse cenário, a interação do capital privado se mostra crucial para acelerar os investimentos e modernizar a infraestrutura nacional.

Por fim, Parma sugere que essa agenda deve ser encarada como uma política de Estado, focada na construção de um legado a longo prazo, e não como um tema passível de rivalidades partidárias ou mudanças de governo no curto prazo.

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