São Paulo

Calor histórico agrava falta de água e provoca onda de reclamações na Grande São Paulo

O calor extremo registrado nos últimos dias de dezembro tem exposto um problema que afeta milhares de moradores da Grande São Paulo: a falta de água em diversos bairros da capital e de cidades da região metropolitana. Com temperaturas próximas de 36 °C, moradores relatam dias seguidos sem abastecimento, dificuldades para manter a rotina doméstica e prejuízos financeiros, especialmente no comércio local.

Em Osasco, no bairro de Quintaúna, famílias afirmam que estão sem água desde o início da semana. Sem retorno efetivo da Sabesp, moradores dizem que protocolos de reclamação são abertos, mas não recebem respostas ou prazos para normalização do serviço. A ausência de água tem afetado desde tarefas básicas, como lavar louça e tomar banho, até o funcionamento de estabelecimentos comerciais.

O comerciante Jaird de Nardi, proprietário de uma pizzaria na região, relata que precisou suspender as atividades por não ter condições mínimas de higiene e preparo dos alimentos. Segundo ele, já são quatro dias sem conseguir trabalhar, o que compromete diretamente a renda da família. “Sem água, não tem como manter o comércio aberto”, resume.

As queixas não se restringem a Osasco. Moradores das zonas Sul, Norte, Oeste e Leste da capital paulista, além da região central, também enfrentam problemas semelhantes. Em bairros como Chácara Santana, há relatos de até sete dias consecutivos sem abastecimento regular. Para conseguir beber e cozinhar, muitas famílias passaram a comprar água engarrafada, o que aumenta os gastos em um período já marcado por despesas de fim de ano.

Diante do volume de reclamações, a Sabesp informou que o consumo de água na região metropolitana aumentou cerca de 60% devido às temperaturas acima da média. A empresa aponta que, entre os dias 14 e 20 de dezembro, a produção foi de aproximadamente 66 mil litros de água por segundo. Na véspera do Natal, mesmo com menor circulação de pessoas nas cidades, esse volume chegou a 72 mil litros por segundo.

Apesar dos números, moradores afirmam que a explicação não resolve o problema imediato de quem está sem água nas torneiras. A companhia orienta a população a fazer uso consciente e evitar desperdícios, mas não detalhou, até o momento, as causas específicas das interrupções nem respondeu individualmente aos protocolos citados.

O cenário reacende o alerta para uma possível crise hídrica. Em agosto, o governo estadual anunciou um plano de contingência que prevê medidas como redução de pressão na rede por até 16 horas, uso do volume morto de represas e, em situações mais críticas, a adoção de rodízio no abastecimento. A estratégia busca evitar um colapso no sistema caso o consumo elevado e as condições climáticas adversas persistam.

Desde a desestatização da Sabesp, em 2024, a empresa afirma ter investido cerca de R$ 1 bilhão em melhorias, incluindo troca de tubulações, combate a vazamentos, inovação tecnológica e ações contra fraudes. Até 2029, o volume de investimentos previstos chega a R$ 9,7 bilhões. Ainda assim, o índice de perdas totais permanece em quase 30%, o que reforça o desafio de garantir abastecimento regular em períodos de demanda extrema.