A campanha eleitoral da candidata ao Senado Simone Tebet (PSB) vai acionar a Justiça Eleitoral após o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) insinuar que ela “se prostitui” por cargos no governo. Esse tipo de ataque gerou uma reviravolta no cenário eleitoral, evidenciando o tom agressivo que a política brasileira tem assumido.
As redes sociais como palco de ataques
Nas redes sociais, Eduardo critica Tebet após ela afirmar que Ricardo Salles (Novo) “se rendeu ao Centrão” ao desistir da candidatura ao Senado para apoiar André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP). Essa crítica setting o tom de uma disputa acirrada entre os candidatos, mas o que se teve como resposta foi um ataque pessoal, que superou os limites do debate político.
Em nota, a equipe da ex-ministra do Planejamento afirma que “adotará todas as medidas jurídicas cabíveis para impedir a continuidade da divulgação desse conteúdo”. A campanha de Tebet considera o comentário como não apenas um ataque a sua imagem, mas também como uma tentativa de deslegitimar sua candidatura através de insinuações machistas.
“Além de provocar a Justiça Eleitoral para que seja determinada a sua imediata remoção, encaminhará notícia-crime ao Ministério Público Eleitoral para a apuração dos fatos sob a perspectiva da violência política contra a mulher”, diz a campanha em comunicado obtido pela CNN Brasil.
Reação de Simone Tebet
A campanha também chamou de “grave” o posicionamento de Eduardo Bolsonaro. “Causa profunda repulsa que, em pleno processo eleitoral, se pretenda desqualificar uma candidata por meio de uma insinuação de natureza sexual e profundamente degradante”, completa a nota. É uma situação embaraçosa não apenas para a candidata, mas para o cenário político, que deveria se basear em debates saudáveis e não em ataques de tal natureza.
Simone Tebet diz que não se “intimida” com as falas de Eduardo. Para ela, é lamentável que as disputas eleitorais tenham chegado a esse nível. “Lamento o nível, mas não me surpreende quando vem de um contumaz condenado pelo Supremo Tribunal Federal, que já foi condenado por coação no curso do processo e acaba de ser condenado novamente por difamação contra outra mulher”, pontua. Essa situação revela a urgência de se combater a misoginia na política e nos espaços de debate público.
A candidata ainda destaca que Eduardo “é um covarde que ataca protegido pela distância e por um exército digital propagador de discurso de ódio”. Essa afirmação aponta para a fadiga que muitos políticos enfrentam quando são alvo de ataques online, especialmente de adversários que se utilizam de bots e campanhas orquestradas nas redes sociais. Atualmente, Eduardo Bolsonaro está morando nos Estados Unidos, o que também dificulta um diálogo direto.
“Essa é a indigência do debate político que não pode prosperar. Eu não vou baixar a cabeça, não vou me intimidar e não vou aceitar que nenhuma mulher seja silenciada dessa maneira”, conclui. É um apelo que se faz não apenas para sua própria defesa, mas para que outras mulheres na política sintam-se fortalecidas.
Entendendo o conflito
O conflito começou depois que Simone Tebet criticou a desistência de Salles na corrida eleitoral ao Senado por São Paulo. No X, antigo Twitter, ela disse que ele “se rendeu ao Centrão”. A partir desse ponto, Eduardo, em defesa de Salles, argumentou que o parlamentar “não se rendeu ao Centrão”, alegando que a divisão dos votos da direita poderia abrir espaço para candidatos de esquerda, como Simone Tebet, que, segundo ele, é “vassala do Lula”.
Portanto, o episódio não reflete apenas um ataque pessoal, mas é um microcosmo dos conflitos ideológicos maiores que marcam o debate político brasileiro. Eduardo, na sequência, insinuou que o Centrão se prostitui por cargos, ampliando o tom de ataque não só a Tebet, mas a todo um grupo político com o qual ela se alinha.
Com toda essa tensão, agora, Tebet tenta remover o conteúdo do ar, enquanto as consequências deste conflito ainda estão se desenrolando. A situação ressalta a necessidade urgente de um debate político mais respeitoso e civilizado, onde as ideias e propostas prevaleçam sobre ofensas pessoais.

