A reunião realizada na última quinta-feira (7) entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o líder americano, Donald Trump, na Casa Branca, teve um saldo predominantemente positivo do ponto de vista político, segundo a avaliação do professor de Relações Internacionais da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), Alexandre Coelho. Para o especialista, o encontro cumpriu um papel diplomático relevante para ambos os lados.
Em entrevista ao CNN Novo Dia, Coelho avaliou que o principal ganho do encontro para Lula foi de natureza política. “O saldo foi muito positivo do ponto de vista político e eleitoral para o presidente Lula”, afirmou.
O professor destacou que a oposição vinha tentando associar Lula a um suposto impedimento nas relações com os Estados Unidos, e que o encontro desfez essa narrativa. “Lula sai mostrando que não, muito pelo contrário, que quem tem boas relações e a chave para resolver, pelo menos do ponto de vista diplomático, é o próprio Lula e não a oposição”, disse.
Manutenção das relações bilaterais
Coelho também ressaltou que não seria razoável esperar a assinatura de acordos concretos durante o encontro, uma vez que não houve reuniões prévias entre as equipes técnicas dos dois países. Para ele, o objetivo principal foi preservar o fluxo diplomático entre os dois líderes.
“O encontro me pareceu muito mais para manter as arestas entre os dois presidentes afastadas, ou seja, para tentar manter sempre um fluxo e um canal de comunicação”, explicou.
Resultados positivos também para Trump
Na avaliação do professor, Trump também saiu beneficiado do encontro, especialmente do ponto de vista simbólico. Ao receber Lula, Trump demonstrou ao seu eleitorado que mantém boas relações com uma potência regional como o Brasil. Além disso, Coelho apontou que o encontro enviou um recado à China sobre o interesse americano em estreitar laços com o Brasil, país estratégico em razão de seus minerais críticos.
O especialista ainda destacou que foi estabelecido um prazo de 30 dias para negociações técnicas sobre diversos pontos, incluindo os minerais críticos. Para Coelho, o fato de não ter havido avanços concretos nesse tema foi, na verdade, positivo para o Brasil, já que o país ainda discute sua legislação interna sobre o assunto. “É importantíssimo que a gente tenha essa discussão e o mais breve possível saia, pelo menos, o nosso enquadramento sobre esse assunto muito importante”, afirmou.
Por fim, o professor avaliou que Trump também precisava de um resultado positivo diante de um momento de dificuldades em sua agenda internacional, e conseguiu transformar a reunião exatamente nisso.
