O aumento do câncer colorretal em jovens é uma preocupação crescente no Brasil. Um estudo recente realizado no A.C. Camargo Cancer Center, em São Paulo, revelou um aumento contínuo da doença nos últimos 23 anos, especialmente entre adultos mais jovens, o que exige uma nova abordagem para o diagnóstico e a prevenção.
Crescimento alarmante entre jovens
Essa pesquisa avaliou 5.559 casos diagnosticados entre 2000 e 2023, indicando um crescimento médio anual de 8,5% no grupo etário de 30 a 39 anos. Para aqueles com menos de 50 anos, considerado um grupo de menor risco, a taxa de crescimento foi de 7,6%. Em contrapartida, entre pessoas com 50 anos ou mais, verificou-se um aumento de 8,1%. Os dados são distintos de outros países desenvolvidos, onde a incidência em adultos mais velhos está diminuindo devido a programas efetivos de rastreamento.
Importância do diagnóstico precoce
De acordo com o cirurgião oncológico Samuel Aguiar, um dos autores do estudo, o crescimento do câncer colorretal em jovens não pode ser ignorado. “É um alerta para profissionais de saúde e para a população em geral de que é preciso prevenir”, afirma Aguiar. Apesar de os pacientes com menos de 50 anos terem uma taxa de sobrevida em cinco anos melhor (72,7%) se comparado aqueles acima dessa faixa etária (64,1%), muitos ainda são diagnosticados em estágio avançado, onde as opções de tratamento se tornam mais complicadas.
Campanha Março Azul
Essas constatações têm incentivado campanhas como o Março Azul, promovida pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia, com o objetivo de aumentar a conscientização sobre o câncer colorretal e incentivar a detecção precoce. O teste de sangue oculto nas fezes (teste FIT) é uma importante ferramenta nessa luta, permitindo identificar precocemente sinais da doença. A campanha deste ano inclui um mutirão em Seabra (BA), com a expectativa de realizar 8 mil testes e 500 colonoscopias para pacientes com resultados alterados.
Os achados do estudo reforçam a urgência de políticas públicas que ampliem o acesso ao diagnóstico e ao tratamento oncológico, além de reduzir as desigualdades regionais. Com uma maior atenção a sintomas, especialmente em adultos jovens, é possível melhorar as taxas de detecção e tratamento da doença.