O candidato a deputado estadual em São Paulo preso nesta quinta-feira (20), Emerson Dias Rocha (Podemos), já foi condenado por tentativa de homicídio em 2008. O crime ocorreu em 8 de novembro de 1998.
- Emerson, também conhecido como “Felipinho”, foi detido na Operação Cátaros, acusado de participar de um esquema de lavagem de dinheiro do PCC (Primeiro Comando da Capital).
Após o crime, ele somente se tornou réu em 2003, quando a denúncia do Ministério Público foi aceita pela Justiça. A condenação de 4 anos e 4 meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, foi confirmada em 2013 após recursos da defesa. O trânsito em julgado definitivo da condenação ocorreu em setembro de 2015.
No entanto, Emerson nunca cumpriu pena. A Justiça reconheceu a prescrição da pretensão executória, dado que se passaram 12 anos desde o trânsito em julgado sem que houvesse o início do cumprimento da pena. Assim, a punibilidade de Emerson foi declarada extinta em novembro de 2023.
Em 2026, a defesa pleiteou o reconhecimento de uma segunda forma de prescrição, a da pretensão punitiva, alegando que o Estado havia perdido o direito de punir devido ao tempo transcorrido. Contudo, o TJSP não acatou essa segunda prescrição.
A reportagem apurou que “Felipinho” estaria envolvido no mundo do crime há mais de 20 anos, desde a década de 1990. Investigações revelam que ele já atuou como assaltante de agências bancárias e carros fortes.
Em 2002, ele foi preso preventivamente na Casa de Custódia de Taubaté, um local conhecido como berço do PCC.
Operação Cátaros
A investigação, que durou 90 dias e foi conduzida pelo Ministério Público de São Paulo, revelou um esquema de lavagem de dinheiro do PCC com suposta participação de políticos. Além do candidato Emerson, três vereadores tiveram mandados de busca e apreensão em seus gabinetes, na Câmara Municipal de Cotia: Eduardo Nascimento (PSB), Sergio Luiz de Freitas, conhecido como “Serginho Luiz” (PSB) e Yago Bezerra Neres (União Brasil).
Durante a operação, a esposa de Emerson também foi alvo de um mandado de prisão, mas não foi localizada. A CNN Brasil apurou que ela se encontra nos Estados Unidos, mas deve retornar ao Brasil em breve.
A investigação aponta que ela realizava a lavagem dos recursos ilícitos obtidos pelo marido desde o início dos anos 2000.
No total, foram cumpridas ordens judiciais em 21 endereços em Cotia, São Paulo, Jandira e São Lourenço da Serra, além de Balneário Camboriú (SC).
Seis veículos, incluindo carros de luxo, foram apreendidos, como Jeep Commander, Jeep Compass, Volkswagen Taos, Volkswagen Polo, Mitsubishi L200 Triton e Chevrolet Onix. Apreensões de aparelhos eletrônicos, como celulares, computadores, notebooks, pen drives e cartões de memória, também foram realizadas, além de livros com anotações que poderão ajudar nas investigações.
A maioria das apreensões ocorreu em imóveis localizados em Cotia. Em uma empresa na mesma cidade, um notebook, um computador, três cartões de memória e livros com anotações foram recolhidos.
Um total de 96 policiais militares e 80 policiais civis participaram da operação. Veja o vídeo da prisão de Emerson Rocha:
Outro lado
A reportagem buscou posicionamento de Emerson Rocha e dos vereadores citados. O espaço permanece aberto para suas manifestações.
O Podemos divulgou que está aguardando informações da investigação para avaliar quais medidas internas podem ser tomadas em relação ao candidato à Alesp. Confira a íntegra da nota:
“O Podemos foi informado pela imprensa da operação de hoje realizada pelo Ministério Público de SP. O partido acompanha atentamente o caso e aguarda informações oficiais sobre a investigação para determinar quais medidas internas podem ser tomadas, respeitando todos os trâmites e direitos individuais de defesa”.
A Câmara Municipal de Cotia confirmou que os gabinetes dos vereadores foram alvos de ordens judiciais nesta quinta e esclareceu que as diligências não envolvem os departamentos administrativos do Poder Legislativo Municipal.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

