Um casal que havia adotado um cão sobrevivente das enchentes do Rio Grande do Sul foi atropelado por uma motorista embriagada na manhã de domingo (21), durante o primeiro passeio do animal em São Paulo. O incidente ocorreu na Rua Frei Caneca, região central da capital. O cachorro, batizado de Marcelinho, chegou a ficar desaparecido por mais de 24 horas após o atropelamento.
Segundo relatos do casal, Vitor Pereira e Luisa Valentim Machado, o animal foi adotado oficialmente no sábado (20), após conhecê-lo em um evento de adoção promovido pelo Instituto Cãodeirante. Marcelinho, de 5 anos, havia sido resgatado em 2024 pelo Instituto Elpa, em razão das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, e precisou amputar uma das patas.

Durante o acidente, a tutora Luisa sofreu ferimentos graves, incluindo convulsões e perda significativa de sangue, sendo encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ela recebeu alta ainda no mesmo dia e está se recuperando em casa. Vitor sofreu apenas ferimentos leves. Marcelinho, assustado, fugiu e foi encontrado no dia seguinte, a cerca de dois quilômetros de casa. Exames veterinários constataram ruptura no diafragma do animal, necessitando de cirurgia de emergência.
A motorista, de 45 anos, foi presa em flagrante no local com auxílio de testemunhas e de um motorista por aplicativo. A ocorrência foi registrada como lesão corporal culposa e embriaguez ao volante. A Secretaria de Segurança Pública informou que a condutora apresentou sinais claros de embriaguez e se recusou a realizar o teste do bafômetro. Ela permanece à disposição da Justiça no 78º Distrito Policial (Jardins).
O caso mobilizou a comunidade, com voluntários da ONG Cãodeirante auxiliando nas buscas pelo animal e na divulgação do ocorrido. Uma campanha foi criada nas redes sociais para arrecadar fundos e ajudar com as despesas médicas de Marcelinho, que permanece em tratamento pós-cirúrgico.
Vitor contou que, apesar do susto, estão aliviados por Marcelinho ter sido encontrado com vida. “Ele estava muito assustado, mas conseguimos levá-lo ao hospital a tempo. Precisamos de orações e também de apoio financeiro, pois a conta do hospital já está alta”, disse.