A prisão de mães com filhos pequenos tornou-se um tema debatido após a decisão da Quinta Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) de negar por unanimidade, nesta terça-feira (9), o pedido de liberdade da influenciadora Deolane Bezerra, que está presa por alegações de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro do PCC (Primeiro Comando da Capital). Isso levantou a questão sobre a possibilidade de mães com filhos pequenos permanecerem sob custódia.
A resposta para essa indagação é complexa e depende de diversas nuances legais. No caso de Deolane, mãe de uma menina de apenas dez anos, a situação é delicada, pois sua prisão preventiva se baseia em seu suposto envolvimento com uma das facções mais poderosas do Brasil.
Aspectos Legais
Conforme prevê o Código de Processo Penal (CPP), a substituição da prisão preventiva por domiciliar é autorizada em situações específicas para proteger a primeira infância da criança. O Artigo 318 define que essa troca é possível quando a mulher tem um filho de até 12 anos incompletos. Já o Artigo 318-A reforça que a prisão preventiva de mulheres gestantes ou mães de crianças pode ser substituída por prisão domiciliar, desde que atendidos dois requisitos:
- Não tenha cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa;
- Não tenha cometido o crime contra seu filho ou dependente.
A advogada criminalista Ana Krasovic salienta que, embora a possibilidade de substituição seja amplamente reconhecida nos Tribunais Superiores, ela não é uma garantia e deve ser analisada individualmente. O juiz deve equilibrar o direito à segurança pública com os princípios de proteção da criança.
Por que Deolane permanece presa?
Apesar da defesa de Deolane argumentar que ela atende aos requisitos legais, apresentando-se como mãe de uma criança de dez anos e não tendo cometido crimes violentos, o STJ decidiu pela manutenção da prisão.
O posicionamento do tribunal se apoiou em três fundamentos principais. Primeiro, o Ministério Público Federal defendeu que a prisão fosse mantida devido à gravidade das acusações que ligam a influenciadora a organizações criminosas. Em segundo lugar, os ministros concordaram com o relatório de Ribeiro Dantas, que considerou a decisão do TJSP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo) adequadamente fundamentada e não absurda. Por último, citaram o contexto da investigação, no qual se alega que Deolane usava sua aparente respeitabilidade social para dar legitimidade a supostos recursos ilícitos.
A advogada Beatriz Alaia Colin destacou que a condição de mãe é um fator legalmente relevante, mesmo em casos de crimes graves. Ela argumenta que a proteção legal não deve ser vista apenas através da necessidade financeira e que a preservação do desenvolvimento infantil deve ser priorizada. A existência de uma rede de apoio ao entorno da criança não justifica a exclusão desse cuidado.
Implicações da Decisão do STJ
A decisão do STJ evidência que, embora a legislação brasileira busque proteger mães no sistema prisional, essa proteção não é absoluta. Nos casos em que há dúvidas quanto à segurança pública ou a participação em organizações criminosas, o tribunal poderá decidir em favor da manutenção da ordem pública, considerando-a mais importante do que a concessão de prisão domiciliar.
A defesa de Deolane classificou a manutenção da prisão como “ilegal e desnecessária”, declarando que seguirá lutando pela liberdade de sua cliente junto ao TJSP, ao qual o STJ recomendou uma análise mais célere do caso. Assim, o desdobramento da situação de Deolane continua a ser um ponto focal nas discussões sobre os direitos das mães dentro do sistema judiciário.
