Polícia

Criminosos trocaram HD de delegacia para ocultar provas eficazmente

A investigação da Operação Bazaar revelou práticas preocupantes envolvendo a troca de evidências por indivíduos ligados a uma organização criminosa. Mensagens interceptadas indicam que um HD apreendido pela polícia teria sido substituído por outro dispositivo vazio, com a intenção de ocultar provas contra os suspeitos.

A decisão judicial obtida pela CNN Brasil apontou que a ação foi realizada com a colaboração de um investigador da Polícia Civil de São Paulo. As conversas entre os suspeitos sugerem que eles combinaram um encontro para realizar a troca do HD original, que continha informações incriminatórias.

O Papel dos Policiais na Ocultação de Provas

O documento judicial indica que o Local do encontro para a substituição do HD foi o DPPC (Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania), onde atuam unidades especializadas. A participação de policiais nesse esquema foi destacada, mencionando o investigador Roldnei Eduardo dos Reis Baptista, que estava na delegacia responsável pelo inquérito. Após o início das investigações, os envolvidos começaram a adotar diferentes táticas para ocultar ou destruir provas, bem como corromper policiais civis para escapar de punições criminais.

Operação Bazaar e Seus Detalhes

A Operação Bazaar, realizada pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo) e pela Polícia Federal, visa um possível esquema de corrupção dentro da PCESP (Polícia Civil do Estado de São Paulo). Nesta ação, 25 mandados de busca e apreensão foram executados, inclusive em unidades policiais. Além disso, foram cumpridos 11 mandados de prisão, envolvendo advogados, policiais civis e integrantes do grupo criminoso.

Entre os alvos da operação estão doleiros já envolvidos em casos de corrupção, como Meire Poza e Leonardo Meirelles. Com até o momento, nove pessoas foram presas, incluindo policiais, sendo que ainda se busca localizar outros membros do grupo.

Ampliação da Investigação de Corrupção

A decisão que autorizou essa operação menciona a existência de um “elevado grau de prática de corrupção sistêmica”, que afeta diversas unidades da polícia, como o Deic e o 16° DP. O MPSP identificou um amplo esquema de corrupção policial, que protegeu uma organização criminosa focada em lavagem de dinheiro. O grupo envolveu uma estrutura complexa que incluía pagamentos a agentes públicos e fraudes processuais, com o intuito de desviar investigações e destruir provas.

Essa ação é coordenada pela Ficco (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado) e conta com suporte da Corregedoria da Polícia Civil. Estão sendo conduzidas correições em todas as unidades policiais envolvidas para assegurar a responsabilização disciplinar e investigar possíveis delitos ocorridos.