São Paulo

Datagro alerta para riscos de produtividade na cana 2027/28

A safra de cana-de-açúcar 2027/28 deve começar com boas perspectivas de produtividade no Centro-Sul do Brasil, mas poderá perder força ao longo do ciclo devido aos impactos da colheita tardia e do pisoteio dos canaviais. Essa avaliação foi apresentada por Plínio Nastari, presidente da Datagro, durante a 26ª Conferência Internacional da consultoria sobre Açúcar e Etanol. O mercado se prepara para entender as tendências e os desafios no cultivo de cana-de-açúcar.

Perspectivas iniciais para a safra

Segundo o executivo, o primeiro terço da próxima safra tende a apresentar desempenho mais favorável, beneficiado pelo volume de cana bisada, pelas condições para o plantio de cana de 18 meses e pelo desenvolvimento adiantado de áreas de cana-soca. É um estágio crucial, onde as colheitas iniciais podem ditar o tom do ciclo. Um começo forte pode gerar otimismo entre os produtores e investidores.

No entanto, para o segundo terço, a expectativa é de produtividade regular. Esse período poderá ser marcado por variáveis climáticas e pela continuidade das práticas agrícolas na região. A disrupção causada por mudanças no clima afetará diretamente a operação das usinas e o manejo dos canaviais.

Desafios na colheita e colheita tardia

A etapa final exige maior cautela, diante dos efeitos da colheita tardia em 2026 e dos danos causados às lavouras pelas operações de máquinas. “É cedo para cravar uma estimativa sobre a moagem e a produção de açúcar e etanol para o Brasil no ano que vem”, afirmou Nastari. Essa insegurança no mercado pode impactar as decisões de investimento e planejamento estratégico nas usinas.

O clima nos próximos 12 a 18 meses, o volume de cana disponível, os preços relativos dos produtos e o comportamento da demanda por etanol serão determinantes para o resultado da temporada. Esses fatores interagem de maneira complexa, exigindo atenção por parte dos produtores na adaptação de suas estratégias. O acompanhamento das condições meteorológicas e o gerenciamento eficiente dos insumos podem ser cruciais para maximizar a eficiência da colheita.

Impactos nas regiões produtoras

O levantamento apresentado pela Datagro aponta diferenças importantes entre as regiões produtoras. Na região de Bauru, no interior paulista, a estimativa indica que 21,5% do volume total de cana bisada até 31 de março. Também há preocupações em outras áreas de São Paulo e em Minas Gerais. As estratégias de plantio e colheita variam entre essas regiões, refletindo as especificidades locacionais e os desafios climáticos a serem enfrentados.

Na média do Centro-Sul, a consultoria estima cerca de 34 milhões de toneladas de cana bisada até o fim de março. O problema pode prejudicar o desenvolvimento dos canaviais e afetar a produtividade agrícola no ciclo seguinte. A relação entre a oferta e a demanda se tornará ainda mais relevante em um contexto de possíveis mudanças nos preços dos insumos e na dinâmica de mercado.

O encerramento mais tardio da safra atual também contribui para as incertezas. Com chuvas frequentes atrasando a colheita, mais usinas planejam manter as operações até a segunda quinzena de dezembro. Ao mesmo tempo, a retomada dos trabalhos no campo poderá ocorrer mais cedo em 2027, o que pode impactar os ciclos de cultivo. O conhecimento das práticas recomendadas nesta fase crítica será benéfico para minimizar os riscos associados ao atraso na colheita.

A combinação desses fatores deve produzir um desempenho desigual ao longo da safra 2027/28, com um início potencialmente mais forte e maior risco de perda de rendimento na fase final. Conforme se aproximam os meses críticos, as avaliações e previsões se tornam essenciais para que os profissionais do setor possam se preparar adequadamente para as variações na oferta e demanda, bem como nas condições climáticas e operacionais.