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De febre a sinais de infarto: guia completo para saber onde buscar atendimento em SP e evitar filas

Quando surgem sintomas como febre, dor de cabeça ou tosse insistente, a primeira reação de muitos paulistanos é correr para o pronto-socorro. No entanto, nem sempre essa é a alternativa mais adequada — e, em casos realmente graves, como sinais de infarto ou AVC, escolher o local errado pode atrasar o socorro e colocar vidas em risco. Com uma rede extensa e diversificada, a cidade de São Paulo exige que o cidadão conheça a função de cada unidade de saúde para entender quando procurar uma UBS, UPA, hospital, AMA, CAPS ou mesmo acionar o SAMU.

A capital conta com 1.056 unidades municipais, incluindo 479 UBSs, dezenas de UPAs e hospitais distribuídos pelas diversas regiões. O volume de atendimentos é gigantesco: entre janeiro e setembro, foram quase 11 milhões de consultas nas UBSs, mais de 5 milhões nas UPAs e 1,3 milhão de atendimentos hospitalares. Em meio a esse fluxo intenso, acertar o destino é fundamental tanto para reduzir a lotação do sistema quanto para garantir agilidade no próprio atendimento.

O sistema de saúde é dividido em níveis de complexidade. A atenção primária — porta de entrada do SUS — envolve as UBSs, onde são realizados casos simples, acompanhamentos e ações preventivas, como vacinação, pré-natal, cuidados odontológicos e controle de doenças crônicas. De acordo com o médico Eliezer Silva, diretor-executivo do Einstein, essas unidades resolvem de 80% a 90% das necessidades de saúde ao longo da vida e deveriam ser o primeiro ponto de busca diante de sintomas leves.

Quando um caso demanda uma avaliação especializada — como uma hipertensão persistente — o paciente é encaminhado para a atenção secundária, onde atuam ambulatórios e centros de especialidades. Situações que exigem cirurgias, internação ou exames mais complexos pertencem à atenção terciária, composta pelos hospitais municipais. No topo da escala, a atenção quaternária reúne procedimentos altamente especializados, como transplantes.

As UPAs se situam entre a atenção primária e os prontos-socorros hospitalares. Funcionam 24 horas e atendem urgências e emergências, estabilizando quadros e encaminhando para hospitais quando necessário. Uma dor de cabeça comum pode ser resolvida na UBS, mas se vier acompanhada de tontura, vômito intenso ou confusão mental, a recomendação é buscar uma UPA, que tem estrutura para detectar casos graves, como AVC.

As AMAs também fazem parte da rede, absorvendo situações de baixa e média complexidade de forma não agendada, especialmente crises de pressão alta, torções e pequenos ferimentos. Já para questões de saúde mental, os CAPS e as próprias UBSs são portas de entrada, oferecendo acolhimento sem necessidade de agendamento e acompanhando usuários em sofrimento psíquico, crises emocionais e dependência química.

Para emergências graves — como infarto, AVC, parada cardíaca, acidentes com risco de morte ou pessoas inconscientes — o número correto é o 192, do SAMU, que envia equipes treinadas para socorro imediato. Em ocorrências envolvendo incêndios, resgates, vítimas presas em ferragens, afogamentos ou acidentes com produtos perigosos, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado pelo 193.

Com tantas possibilidades e níveis de atendimento, conhecer o caminho adequado pode evitar deslocamentos desnecessários, agilizar diagnósticos e, principalmente, salvar vidas em momentos críticos.