São Paulo

Dia Nacional do Funk: Celebre a Cultura e suas Raízes

Dia Nacional do Funk: Celebre a Cultura e suas Raízes

Neste domingo, dia 12 de julho, é celebrado o Dia Nacional do Funk, instituído a partir de lei sancionada pelo presidente Lula em 2024. A data faz homenagem ao Baile da Pesada, festa precursora para a popularização do funk, que aconteceu em 12 de julho de 1970, no Rio de Janeiro, onde nasceu grande parte das vertentes do gênero. A lei é de autoria de Alexandre Padilha (PT), na época Ministro das Relações Institucionais, que hoje está à frente do Ministério da Saúde.

Na época de oficialização da data, o funk representava quase 99,2% da receita do mercado fonográfico nacional, com 1,181 bilhão dos 1,191 bilhão de reais totais oriundos do consumo de música por streaming. Só no Spotify, a playlist das 50 faixas mais tocadas no Brasil conta com mais de 20 músicas do gênero, que divide as paradas com hits do sertanejo, piseiro e pagode.

Em São Paulo, a homenagem ao gênero também é lei desde 2016, celebrada em 7 de julho. A escolha da data é uma homenagem a um dos pioneiros do funk paulista, MC Daleste, assassinado aos 20 anos durante show na cidade de Campinas, em 2013. Até hoje, detalhes sobre os mandantes do crime são investigados. O cantor se tornou símbolo de resistência dos bailes e da cultura periférica na capital paulista, servindo de inspiração para outras gerações de funkeiros pelo Brasil.

O funk nasceu nas periferias e subúrbios do Rio de Janeiro, com influências de estilos como o soul e o funk estadunidense. Rapidamente se espalhou para outras regiões do país, adquirindo características regionais e se fundindo com outros gêneros populares, como o sertanejo e o samba.

Retrato de baile black que aconteciam no Rio de Janeiro, na década de 1970, e deu origem aos bailes funk • Almir Veiga/ Divulgação

Funk Como Cultura de Resistência

A história do funk é marcada pela resistência cultural e pela celebração da identidade periférica. Ao longo dos anos, o gênero se tornou uma voz para aqueles que muitas vezes são silenciados na sociedade. As letras falam sobre vivências reais, refletindo o cotidiano das comunidades de onde os artistas emergem. A mensagem do funk carrega a luta por espaço, reconhecimento e direitos. Apesar do preconceito que enfrenta, muitos jovens se identificam com esse estilo musical, vendo nele uma forma de expressar suas experiências e conquistar seu espaço.

Nas Olimpíadas de 2021, em Tóquio, no Japão, a ginasta Rebeca Andrade, que representava a equipe brasileira na competição, apresentou um solo ao som da música “Baile de Favela” de MC João e se classificou para disputar o pódio. A coreografia performada pela ginasta, criada em parceria com o coreógrafo Rhony Ferreira, ficou mundialmente conhecida e levou a cultura do funk para o mundo.

Além da ginástica, o futebol também é um dos esportes que tem tornado o funk popular em outros países. Não é incomum que jogadores escolham músicas do gênero em comemorações de gols e de conquista de campeonatos de ligas estrangeiras. Muitos deles elegem canções que representam suas próprias comunidades de origem, contribuindo para a visibilidade da cultura funk em diferentes partes do mundo.

Recentemente, Lamine Yamal, jovem estrela do Barcelona FC, viralizou ao publicar vídeos em suas redes sociais nos quais dançava ao som de funks brasileiros. Ele já declarou em entrevista ouvir o gênero no dia a dia e em preparações para entrar em campo. Na comemoração do título do Campeonato Espanhol pelo clube catalão, o jogador foi responsável por incluir a música “Dança da Motinha” do Dennis DJ no carro de som em que os jogadores passavam nas ruas de Barcelona.

Lutando Contra o Preconceito

A origem popular e periférica do gênero ainda provoca resistência por parte da sociedade. Letras que fazem apologia a sexo, uso de substâncias e envolvimentos com o mundo do crime são frequentemente usadas como justificativa para visões preconceituosas sobre o funk e a proibição de expressões musicais e da cultura construída ao redor do gênero. Essa visão limitante impede que muitos reconheçam o valor artístico, cultural e social que o funk representa.

Em janeiro de 2025, a vereadora Amanda Vettorazzo (União Brasil) apresentou pela primeira vez na Câmara Municipal de São Paulo o projeto da chamada “Lei Anti-Oruam”, nome dado pejorativamente em referência ao funkeiro carioca Oruam. Para parlamentares da oposição, o PL tinha como objetivo claro criminalizar a cultura periférica e coibir qualquer tipo de manifestação ligada a jovens negros e favelados.

Óculos espelhados do modelo “juliet” se tornaram símbolo do funk e da cultura periférica • Fernanda Souza (@correrua_)

A atitude se popularizou entre parlamentares de outros estados, como o Rio de Janeiro. Mais tarde, o deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil) também protocolou um projeto de lei que proíbe apologia ao crime organizado e ao consumo de drogas em shows e eventos contratados pelo Governo Federal.

Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, de 23 anos, o Oruam, despontou no cenário do trap nacional em 2021. O cantor foi uma das atrações do Lollapalooza 2024. Durante o show, pediu a liberdade do pai, Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, preso desde 1996 e apontado como líder de uma organização criminosa no Rio de Janeiro.

No dia 11 de fevereiro, o cantor se manifestou sobre o projeto de lei nas redes sociais: “Eles sempre tentaram criminalizar o funk, o rap e o trap; coincidentemente, o universo fez um filho de traficante fazer sucesso. Eles encontraram a oportunidade perfeita para isso, virei pauta política, mas o que vocês não entendem é que a lei anti-Oruam não ataca só o Oruam, mas todos os artistas da cena”, escreveu.

*Com informações de Leticia Martins, da CNN em São Paulo.

MTG: saiba o que é a tendência do funk que viraliza nas redes sociais