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El Niño fará com que inverno seja menos rigoroso em 2026

El Niño fará com que inverno seja menos rigoroso em 2026

Uma frente fria avança pelo Brasil neste final de semana, levando temperaturas baixas a diversas regiões do país, inclusive ao sul da Amazônia. Apesar do frio sentido agora, o meteorologista Alexandre Nascimento afirma que o inverno deste ano deve ser menos rigoroso do que o do ano passado, em razão da formação do fenômeno El Niño.

Em entrevista ao Agora CNN, Nascimento explicou que a chegada do frio neste período é esperada, embora tenha demorado um pouco mais do que o habitual. “É uma situação normal, esperada para essa época do ano. Ela até demorou um pouquinho mais, já é comum ali no começo de maio a gente ter alguns dias frios”, afirmou.

A massa polar associada à frente fria está se deslocando pelo país e alcança até o sul da Amazônia, em um fenômeno chamado de friagem. Segundo Nascimento, esse evento ocorre quando a massa polar, originada na Antártica e acompanhada de um sistema de alta pressão, consegue avançar até aquela região.

“A temperatura cai por lá. Lógico que, assim como no Rio de Janeiro, o frio é um pouquinho mais ameno, mas já é o suficiente para deixar as pessoas da região em uma situação que não é muito comum”, explicou.

O especialista destacou temperaturas registradas em diferentes estados. Em Santa Catarina, a mínima absoluta foi de – 1ºC na região de Urupema. No Rio Grande do Sul, 1°C na Serra Gaúcha. No Paraná, 0°C nas cidades de Ponta Grossa e Guarapuava. No Mato Grosso do Sul, 6°C em regiões próximas à fronteira com o Paraguai. Em São Paulo, a capital registrou 15°C às 10 horas da manhã, a mesma temperatura de Cuiabá no mesmo momento.

Temperaturas e El Niño

Questionado sobre as perspectivas para o inverno a partir de junho, Nascimento foi direto: o frio deve ser menos intenso do que no ano anterior. “Nós temos aí para os próximos meses a formação do fenômeno El Niño. É bem provável que esse finalzinho de outono e até o começo do inverno seja mais frio do que o alto inverno”, disse.

Segundo ele, em julho e agosto as temperaturas já devem estar acima do normal, o que é um efeito típico do El Niño. Antes disso, novas massas polares ainda devem trazer frio ao longo de maio, junho e início de julho.

Risco de chuvas intensas já passou

Sobre o risco de chuvas fortes, Nascimento informou que o momento mais crítico já ficou para trás. A frente fria provocou precipitações significativas em estados como Santa Catarina, Paraná e no litoral de São Paulo. Na região do Vale do Ribeira, choveu quase 70 milímetros em 24 horas.

“À medida que a frente fria vai avançando pelo país, ela vai se deslocando para o oceano, e aí o risco de chuva forte já deixa de existir”, explicou. No momento da entrevista, a frente já se encontrava próxima ao litoral do Rio de Janeiro e deve se afastar completamente nesta segunda-feira (11).

Sistemas diferentes atuam no Norte e Nordeste

Nascimento também esclareceu que as fortes chuvas que atingiram Pernambuco e Paraíba durante a semana não têm relação com a frente fria do centro-sul do país. “Os sistemas meteorológicos que atuam sobre o norte e o nordeste são bem diferentes desses que a gente tem no centro e sul do Brasil”, afirmou.

Na região Norte e Nordeste, os fenômenos responsáveis pelas chuvas são a zona de convergência intertropical e os distúrbios ondulatórios de leste. Segundo o especialista, esses sistemas ficaram mais fracos desde a última quarta-feira (6), e não há expectativa de chuvas tão intensas para a região no curto prazo.

Previsão para a semana

Para a semana seguinte, Nascimento previu um cenário variado, especialmente no centro-sul do país. O início da semana deve ser marcado por tempo firme, porém muito frio, com expectativa de geada no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no sul do Paraná. Em pontos das Serras Gaúcha e Catarinense, temperaturas negativas são possíveis.

A partir de quarta-feira (13), a temperatura volta a subir rapidamente. Entre quinta-feira (14) e o final da semana, uma nova frente fria deve percorrer o mesmo trajeto, chegando ao Sudeste entre os dias 18 e 19, trazendo chuva e nova queda de temperatura. “A semana começa gelada e com tempo firme e termina cheia de nuvens e com chuva”, resumiu o meteorologista.

No Norte, chuvas moderadas a fortes seguem previstas entre o norte do Amazonas e o litoral do Maranhão, enquanto em Recife e João Pessoa há previsão de chuva, mas sem grandes temporais.

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