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Elétricos com mais de 3 anos desvalorizam 46% rapidamente

Elétricos com mais de 3 anos desvalorizam 46% rapidamente

O mercado nacional de carros usados encerrou o primeiro semestre de 2026, mostrando uma inflação maior do que a registrada no ano passado. O mais recente levantamento da IBV Auto revelou um cenário de forte valorização geral, mas que pune severamente quem apostou em baterias nos últimos anos.

Enquanto os hatches base das montadoras tradicionais nacionais registraram forte valorização em todos os estados do país, os proprietários de veículos 100% elétricos e híbridos assistiram a uma depreciação acelerada de seu patrimônio, ditada por uma nova dinâmica de preços na indústria nacional.

O rápido derretimento dos elétricos e híbridos seminovos

O dado mais alarmante do levantamento aponta para o ritmo de desvalorização dos veículos eletrificados no mercado de segunda mão. De acordo com o índice, os modelos 100% elétricos lançados em 2023 já acumulam uma perda de 46,1% do seu valor até junho de 2026.

A situação é ainda mais severa para os modelos elétricos de 2022, cuja desvalorização média atinge 50,5%. Ou seja, segundo o índice, metade do valor do carro evaporou em cerca de quatro anos.

A categoria de híbridos também sofre com o impacto do repasse, embora em ritmo bem menos agressivo, registrando desvalorização média de 26,1% para os modelos 2023 e de 19,3% para os de 2022.

Segundo o estudo, esse forte declínio nos elétricos usados é reflexo direto da queda nos preços dos veículos novos, do aumento da concorrência e das estratégias agressivas de precificação que as montadoras vêm adotando para tentar desovar estoques e ampliar a participação no segmento de zero-quilômetro.

Vitória do hatch tradicional

Olhando para o cenário de forma geral, o mercado de usados culturalmente mais tradicionais caminha em uma trajetória oposta à dos elétricos. O IBV Auto acumulou uma alta de 3,49% entre janeiro e junho de 2026, superando com folga o avanço de 1,98% registrado no mesmo período de 2025. No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação do carro usado já chega a 6,87%.

Somente no mês de junho, o indicador subiu 0,57%, acelerando em relação ao resultado de maio (+0,43%). Segundo o economista-chefe do banco BV Roberto Padovani, o comportamento dos preços indica resiliência, embora comece a dar sinais de acomodação em relação aos picos vistos no primeiro trimestre, quando a média mensal de alta era de 0,72%.

A força do índice nacional em junho foi sustentada principalmente pelos hatches populares de grande volume. Os modelos que mais empurraram as médias para cima foram o Renault Kwid, o Volkswagen Fox e o Chevrolet Onix.

Por outro lado, o consumidor de usados começou a penalizar alguns SUVs e modelos de maior valor agregado; nomes consagrados como Honda HR-V, Volkswagen T-Cross e Hyundai HB20 exerceram forte pressão negativa sobre o indicador, registrando queda de preço no período.

Alta em Minas Gerais

A valorização dos usados em junho foi disseminada por todas as regiões brasileiras, mas o Sudeste liderou o movimento com um avanço mensal de 0,83%. O grande motor desse resultado foi o estado de Minas Gerais, que registrou uma alta expressiva de 1,64% no mês e lidera isolado o ranking nacional de valorização em 12 meses, com um acumulado de 8,48%.

O Rio de Janeiro aparece em seguida, com 7,20%, enquanto São Paulo teve um comportamento mais conservador, subindo 5,27% no mesmo período.

O “boom” mineiro revela o apetite local pelos carros de frota e grande circulação. Modelos de altíssimo volume de comercialização no mercado secundário, como o Chevrolet Onix e o Volkswagen Gol, tiveram mais que o dobro da valorização observada na média nacional em solo mineiro durante o primeiro semestre, puxando toda a inflação do Sudeste para cima.

Para o vice-presidente de varejo do banco BV, Jamil Ganan, esses dados desenham um cenário de forte fragmentação de mercado. “A valorização dos usados continua presente, mas depende cada vez mais das características de cada modelo e das dinâmicas regionais. O comportamento do mercado tem sido menos uniforme e mais sensível às preferências dos consumidores”, conclui.

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