A Operação Fluxo Oculto é um desdobramento significativo da Operação Carbono Oculto, que ocorreu em 28 de setembro de 2023. Essa ação revelou a enorme dimensão das movimentações financeiras de um novo esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital) utilizado no setor de combustíveis, combinando fintechs e um novo recurso: a nafta.
As investigações expõem que, entre 2022 e 2024, apenas uma instituição de pagamento registrou depósitos que ultrapassaram a marca de R$ 1 bilhão em espécie. A Receita Federal considerou o procedimento como “estranho”, indicando que era uma estratégia para ocultar a origem ilícita dos recursos.
Como parte das ações contra esse esquema, 59 mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em diferentes estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul.
Fluxo Oculto e PCC: fintechs e desvio de nafta são principais alvos de ação
Dimensão do esquema do PCC
Os investigadores descobriram que, de 2022 a 2025, seis novas fintechs foram identificadas como “bancos paralelos” do PCC, movimentando mais de R$ 26 bilhões. Dessa quantia, cerca de R$ 8 bilhões foram informados ao fisco brasileiro por apenas três dessas instituições durante 2025. Além do uso do sistema bancário tradicional, o grupo integrou transações em criptoativos, que totalizaram pelo menos R$ 365 milhões, em colaboração com empresas suspeitas de envolvimento em lavagem de dinheiro.
No setor de desvio de nafta, o esquema empregava quatro fundos de investimento. Tal eficiência em infiltrar capital ilícito fez o patrimônio dos fundos crescer para R$ 205 milhões, resultando em um forte aumento patrimonial de mais de 200% em pouco mais de um ano. Esse grupo simulava operações industriais para encobrir a venda de combustível, o que causou uma perda de tributos significativos para o Estado, estimando-se que os cofres públicos tenham deixado de arrecadar cerca de R$ 200 milhões apenas na frente do nafta em um período de dois anos.
Ações investigativas
O principal objetivo da Operação Fluxo Oculto é reforçar o combate a fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. No dia 28, as investigações se concentraram em mais seis fintechs recém-descobertas e na adulteração de combustíveis utilizando nafta, um tipo de solvente amplamente usado no mercado.
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As investigações destacam que as empresas em questão atuavam como bancos paralelos e eram fundamentais para uma robusta rede financeira. Elas possibilitavam compensações financeiras internas entre diversas distribuidoras e postos, além de gerenciarem pagamentos a colaboradores e para os custos pessoais dos principais operadores do grupo.
Como funcionava o esquema
Esse núcleo também estava vinculado ao desvio de nafta petroquímica para terminais e postos de combustíveis. O trabalho coordenado com a ANP revelou uma estrutura complexa de falsidades, simulando vendas de solventes para empresas-fantasma. Segundo as denúncias, uma rede meticulosamente criada possibilitou a abertura serial de empresas distribuídas em vários estados do Brasil. O levantamento das apurações evidenciou que os denunciados contavam com parentes, indivíduos em situação de vulnerabilidade social e até mesmo detentos para formar pessoas jurídicas que supostamente compravam solventes, os quais eram efetivamente desviados para a Grande São Paulo.
A investigação conjunta entre o Gaeco e a Receita Federal confirmou que os mesmos métodos de ocultação patrimonial do outro esquema de lavagem eram aplicados. Além disso, a movimentação financeira envolvia fundos de investimento que dissimulavam os verdadeiros beneficiários das atividades do PCC.
Empresas envolvidas e impacto social
- Ceopag Instituição de Pagamento, Ceopar, Fundopay S.A. e XBR Participações
- America Payment S.A
- Sispay Instituição de Pagamento, Vpay Instituição de Pagamento e May Servex Negócios Imobiliários
- Smart Solutions Instituição de Pagamento e Smart Safe Locação e Processamento de Dados
- YAW Instituição de Pagamento S.A
- Ello Gestora de Recursos Ltda
A CNN Brasil busca localizar representantes das empresas citadas para obter esclarecimentos sobre suas atuações. O fenômeno da lavagem de dinheiro e a sonegação de tributos geram um impacto devastador na economia e na sociedade. A complexidade e a escalabilidade dos esquemas mostram que o combate efetivo requer atenção e ações decisivas das autoridades competentes.
