O ex-prefeito de Embu das Artes, Ney Santos, foi condenado pela Justiça de São Paulo a 3 anos e 9 meses de prisão em regime semiaberto pelo crime de transporte e posse de arma de fogo com numeração raspada. A decisão, publicada nesta quinta-feira (20), ocorre mais de seis anos após o episódio que deu origem ao processo, envolvendo um deslocamento oficial realizado em fevereiro de 2019.
Naquele dia, Santos viajava em um veículo da prefeitura acompanhado de um motorista quando foram abordados por policiais militares. A equipe da PM teria desconfiado do trajeto adotado pelo condutor, o que motivou a abordagem. Durante a revista, os agentes localizaram, no assoalho do banco do motorista, uma pistola calibre .380 da marca Taurus com numeração suprimida, além de três carregadores e uma mira laser, item classificado como de uso restrito. Também foram identificadas 45 munições, sendo 15 de calibre 9 mm e 30 de calibre .380.
Ao longo do processo, Ney Santos alegou que não tinha conhecimento da existência da arma no interior do veículo. Em sua versão, ele explicou que costumava viajar com um guarda municipal, mas que, naquele dia, precisou seguir viagem com um motorista designado por um assessor momentos antes da saída de Cosmópolis, no interior de São Paulo, rumo à capital. O ex-prefeito também afirmou que havia se perdido no percurso, justificando o trajeto incomum que chamou atenção da Polícia Militar.
A juíza responsável pelo caso rejeitou os argumentos da defesa. Na sentença, destacou que a arma circulava com facilidade dentro do carro e estava claramente visível, o que tornaria improvável que o passageiro não tivesse percebido sua presença. Além disso, a magistrada ressaltou que os dois ocupantes se revezaram ao volante, o que reforça a participação de ambos no transporte do armamento. Para ela, o fato de Santos exercer o cargo de prefeito à época agrava ainda mais a situação, já que agentes públicos têm o dever de manter conduta irrepreensível e em conformidade com a lei.
O Ministério Público havia solicitado a condenação tanto de Santos quanto do motorista, argumentando haver provas suficientes sobre autoria e materialidade do crime. O segundo réu também foi condenado, recebendo pena de 3 anos e 4 meses de reclusão.
Até a última atualização desta reportagem, a defesa de Ney Santos não havia se manifestado.