A Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) decidiu pela demissão do professor Alysson Mascaro, que estava afastado do cargo após ser acusado por estudantes de assédio e abuso sexual. A deliberação foi tomada no âmbito interno da unidade, mas ainda depende de oficialização pela reitoria da universidade para que a exoneração tenha efeito formal.
A decisão foi confirmada pela defesa do professor, que informou que a congregação da faculdade deliberou pela demissão na quinta-feira (11). Os advogados, no entanto, ressaltam que Mascaro ainda não foi intimado oficialmente e que pretende apresentar recurso na esfera administrativa, além de questionar o processo também no Judiciário.
Desde que as denúncias vieram a público, o professor nega todas as acusações. Segundo a defesa, tanto a sindicância preliminar quanto o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) teriam sido conduzidos com falhas graves, supostamente violando princípios básicos do devido processo legal. A universidade, por sua vez, afirmou que o procedimento corre sob sigilo e, por isso, não se manifestou oficialmente sobre o conteúdo da decisão.
O caso também é apurado na esfera criminal. Um inquérito policial foi instaurado a pedido do Ministério Público de São Paulo em junho deste ano e está sob responsabilidade da 1ª Delegacia Seccional de Polícia. De acordo com a advogada que representa Mascaro, ele ainda não foi chamado para prestar depoimento no inquérito.
As investigações administrativas tiveram início em dezembro do ano passado, após a publicação de denúncias feitas por alunos e ex-alunos relatando episódios que teriam ocorrido ao longo de quase duas décadas, entre 2006 e 2024. Diante da repercussão, a USP determinou o afastamento temporário do docente, alegando a existência de fortes indícios da materialidade dos fatos narrados.
Durante a sindicância, concluída em janeiro deste ano, foram colhidos depoimentos de estudantes — em sua maioria homens — que relataram situações de assédio sexual. Também foram ouvidas mulheres, incluindo testemunhas e possíveis vítimas de assédio moral. Ao final do procedimento, o professor apresentou sua versão dos fatos, reiterando a negativa das acusações.
Os relatos dos ex-alunos descrevem um padrão de comportamento: aproximações iniciadas sob a promessa de orientação acadêmica ou indicação profissional, que evoluíam para mensagens de cunho íntimo, contatos físicos considerados invasivos, abraços prolongados e tentativas de beijo. Segundo os denunciantes, muitos desses episódios teriam ocorrido na residência do professor, após convites feitos no contexto da relação acadêmica.
Para os órgãos internos da universidade, a gravidade e a recorrência das denúncias justificaram a penalidade máxima na esfera administrativa. Já a defesa sustenta que não há relação direta entre os fatos apurados e o exercício do cargo docente, além de apontar supostas irregularidades formais ao longo do processo disciplinar.
O caso segue em andamento tanto no âmbito administrativo quanto no criminal e deve continuar gerando desdobramentos judiciais nos próximos meses.