O ex-piloto brasileiro Emerson Fittipaldi destacou a ascensão de campeões mais jovens como uma evolução natural no automobilismo, refletindo um novo padrão em que os pilotos começam suas trajetórias mais cedo. Em meio às novas descobertas deste cenário, o bicampeão elogiou Kimi Antonelli, da Mercedes, que conquistou o campeonato mundial aos 20 anos.
Em 1972, Fittipaldi se tornou o campeão mundial mais jovem da história da Fórmula 1, aos 25 anos. Esse recorde foi mantido até 2005, quando Fernando Alonso, aos 24 anos, superou a marca. Com o recente título de Antonelli, Fittipaldi agora não está mais entre os cinco campeões mais jovens da Fórmula 1. Para o brasileiro, essa mudança é um reflexo do treino avançado e da dedicação dos atletas modernos, que iniciam suas carreiras na infância.
“É ótimo ver a chegada da nova geração, como acontece em todos os esportes no cenário internacional. Hoje, os jovens começam aos seis, cinco ou até quatro anos de idade”, comentou Fittipaldi, de 79 anos, à Reuters, durante o Grande Prêmio de São Paulo.
Kimi Antonelli e a Nova Geração da Fórmula 1
Kimi Antonelli iniciou sua jornada no kart aos cinco anos, introduzido pelo pai. Antes de sua estreia na Fórmula 1, que ocorreu no ano passado, teve passagens pela Fórmula 2. Com sua vitória, ele agora lidera a lista dos campeões mais jovens da história, superando ícones como Sebastian Vettel, Lewis Hamilton, Fernando Alonso e Max Verstappen.
A trajetória de Fittipaldi difere bastante: ele começou no kart aos 17 anos e levou oito anos para conquistar seu primeiro título na Fórmula 1, sendo um dos ascensos mais rápidos da categoria. Bicampeão mundial em 1972 e 1974, pela Lotus e McLaren, respectivamente, Fittipaldi vê o sucesso de Antonelli como uma demonstração do talento excepcional do piloto italiano.
“Ele já demonstrou maturidade e teve um desempenho muito bom sob pressão”, enfatizou Fittipaldi, lembrando a vitória de Antonelli no Grande Prêmio da Itália, em Monza, onde começou em 19º lugar. Essa corrida é considerada um dos momentos-chave da sua campanha pelo título mundial.
“Após a punição pela troca do motor, eu não esperava um resultado positivo, mas foi surpreendente. Pensei: ‘Tudo bem, agora temos que ir em frente e vencer’”, contou Antonelli à Reuters nesta semana.
Fittipaldi e a Ampliação da Fórmula 1 na América Latina
Emerson Fittipaldi também expressou seu apoio para aumentar a presença da Fórmula 1 na América Latina. Ele defende a inclusão da Argentina no calendário de corridas, ao lado do Brasil e do México. O ex-piloto informou que viajará à Argentina na próxima semana para visitar o Autódromo Oscar y Juan Gálvez, em Buenos Aires, que busca voltar ao calendário da Fórmula 1, ausente desde 1998.
“Acredito que é muito importante que a América Latina mantenha uma presença forte. Temos o Grande Prêmio do México, que é espetacular, o Grande Prêmio do Brasil e esperamos que a Argentina retorne. São três corridas históricas”, destacou.
No último sábado (7), São Paulo garantiu sua permanência no calendário da Fórmula 1 até 2035, enquanto autoridades argentinas intensificaram esforços para tornar viável o retorno da categoria ao país.
Fittipaldi também ressaltou a rica tradição do automobilismo na região, citando figuras como o argentino Juan Manuel Fangio, pentacampeão mundial, e Carlos Reutemann, vice-campeão. O brasileiro também mencionou o mexicano Sergio Pérez, vencedor de corridas na Fórmula 1, reafirmando a relevância dos pilotos locais, que somam oito títulos mundiais, sendo dois dele próprio, três de Nelson Piquet e três de Ayrton Senna.

