O senador Flávio Bolsonaro (PL) escolheu São Paulo como base para o lançamento oficial de sua candidatura à Presidência, marcado para o fim do mês. A escolha estratégica, segundo a analista de Política da CNN Clarissa Oliveira, visa contornar o desgaste causado pelo caso Master e pela relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
De acordo com Clarissa Oliveira, a confirmação da candidatura pelo PL representa um recado importante. “Apesar de tudo que aconteceu com Flávio Bolsonaro, de Daniel Vorcaro, do caso Master, Flávio vai ter a sua candidatura à presidência confirmada pelo PL”, afirmou a analista. Segundo ela, prevaleceu o plano do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de ter o filho na disputa presidencial.
Por que São Paulo?
A escolha por São Paulo, e não pelo Rio de Janeiro, berço político do bolsonarismo, é deliberada. Clarissa Oliveira explica que Flávio precisa escapar do desgaste associado ao ex-governador Cláudio Castro (PL) no estado fluminense.
Além disso, o pré-candidato busca ganhar musculatura junto a um eleitorado mais moderado, mais ao centro, que “não necessariamente quer assistir àquela cena do bolsonarismo raiz lá no Rio de Janeiro”.
Outro fator relevante é a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que foi escalado como coordenador da campanha no estado, mas que, segundo a analista, não está participando ativamente da campanha presidencial de Flávio — justamente para se descolar do desgaste que tem marcado a pré-candidatura do PL.
A ideia é aproveitar o palanque forte de São Paulo, o maior colégio eleitoral do país.
A luta pela imagem nacional
Em paralelo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta aproveitar o clima da Copa do Mundo para alfinetar Flávio Bolsonaro (PL). No fim de semana, Lula apareceu com a camisa amarela da Seleção brasileira durante um jogo do Brasil, em um movimento para reivindicar o símbolo nacional que, por anos, esteve associado ao bolsonarismo.
“A ideia é ajudar essa coisa da Copa do Mundo para tentar imprimir em Flávio Bolsonaro (PL) a ideia de que aquele cara não é nacionalista”, analisou Clarissa Oliveira.
A estratégia de Lula inclui reforçar a narrativa de que Flávio teria agido contra os interesses do Brasil ao incentivar o chamado “tarifaço” durante viagem aos Estados Unidos. Em resposta, Flávio foi às redes sociais afirmar que ele e seus apoiadores vestem a camisa da seleção há anos, e não apenas em época de Copa.
A disputa simbólica em torno da camisa amarela reflete, segundo a analista, a influência que o torneio pode ter sobre o humor do eleitorado e, consequentemente, sobre os cálculos políticos dos pré-candidatos.