O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), destacou nesta segunda-feira (2) a relevância do equilíbrio fiscal para a continuidade das políticas públicas essenciais. Esse compromisso é ainda mais significativo considerando sua posição como um possível candidato ao Ministério da Fazenda no próximo mandato do presidente Lula (PT).
Fonteles fez essa afirmação ao anunciar a permanência de seu secretário da Fazenda, o que reforça sua postura sobre a responsabilidade fiscal. Em meio a um cenário de divergências internas no PT sobre a política econômica, sua posição se torna um verdadeiro sinal de estabilidade.
Em uma publicação em suas redes sociais, Fonteles anunciou que Emílio Joaquim de Oliveira Júnior permanecerá em seu cargo na Secretaria da Fazenda do Piauí durante o novo mandato, demonstrando uma continuidade que promove segurança nas finanças estaduais. Ele expressou sua gratidão ao secretário pela renovação dessa tarefa crucial que busca garantir o equilíbrio fiscal no estado.
Ele complementou: “Nossos agradecimentos por aceitar a renovação dessa missão tão importante para garantir o equilíbrio fiscal do Estado do Piauí e, consequentemente, as diversas políticas públicas que melhoram a vida do nosso povo.” Além disso, Fonteles mencionou os indicadores fiscais positivos do Piauí, destacando que o estado lidera em termos de investimentos públicos proporcionais à receita, possui uma classificação B+ de capacidade de pagamento pelo Tesouro Nacional e mantém as despesas com pessoal em 38%.
Particularmente impressionante é o fato de que o Piauí é um dos poucos estados que não possui dívidas com o governo federal e apresenta uma taxa de endividamento que é menos da metade da registrada em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Ele encerrou sua mensagem exaltando: “Viva o Equilíbrio Fiscal!!!”.
Fonteles, que anteriormente foi secretário da Fazenda do Piauí e presidiu o comitê nacional dos secretários de Fazenda, recebeu elogios de Dario Durigan, que o considerou um “excelente nome” para o governo federal. Contudo, em uma declaração, Fonteles afirmou que ainda não teve diálogos com Lula ou com qualquer outro membro da equipe sobre o possível cargo no novo governo ou sobre a linha econômica que deverá ser seguida.
Desafios e Divergências no PT
A recente defesa de Fonteles pelo equilíbrio fiscal ocorre em um cenário de crescente apoio à proposta de André Lara Resende por vários membros do PT. Gleisi Hoffmann foi uma das vozes mais proeminentes, apoiando a sugestão de que o economista traz ao debate sobre a política fiscal do país.
Em um artigo publicado em 25 de setembro, Lara Resende argumentou que o alto nível da dívida pública no Brasil deve-se mais aos juros elevados do que a um desequilíbrio real entre receitas e despesas primárias do governo. Ele propõe a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN), encarregado de estabelecer metas integradas para a política fiscal e monetária.
Essa proposta inclui uma redução progressiva da taxa Selic, atualmente fixada em 13,75% ao ano, com a meta de chegar a cerca de 7,5% em um período de 12 meses. Lara Resende também sugere que haja limites para a taxa básica de juros, que estariam atrelados à meta de inflação e ao potencial de crescimento da economia. O economista acredita que a diminuição dos juros reduziria as despesas governamentais relacionadas ao serviço da dívida pública e ampliaria os indicadores fiscais sem depender apenas de ajustes concentrados em cortes de gastos.
Esse posicionamento contrasta com a estratégia adotada pela atual equipe econômica, que acredita que é vital controlar o aumento das despesas e alcançar resultados primários que estabilizem a dívida pública, sem comprometer o desenvolvimento social. Em resposta a novos questionamentos, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reafirmou que a ideia de limitar os juros não está em discussão no governo.
