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Fraude contábil das Americanas: entenda o caso e suas consequências

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (25) a Operação Disclosure, que investiga possíveis irregularidades no rombo financeiro das Americanas. Esse desdobramento ocorre em um contexto onde a varejista já havia identificado inconsistências contábeis de aproximadamente R$ 20 bilhões em janeiro de 2023.

Após uma análise mais detalhada, a Americanas revelou possuir uma dívida total superior a R$ 40 bilhões. Poucos dias após a publicação desse alerta, a companhia ajuizou um pedido de recuperação judicial, aceito pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro ainda em janeiro.

Processo de Recuperação Judicial

Na ocasião, as Lojas Americanas e a Comissão de Valores Mobiliários colaboraram com as investigações, buscando esclarecer a situação financeira da empresa. Informações foram compartilhadas com procuradores do Rio de Janeiro para auxiliar nas investigações sobre a fraude financeira. Também foram estabelecidos acordos de delação com o intuito de identificar os responsáveis e compreender a amplitude das irregularidades.

A empresa identificou que membros da sua diretoria tinham conhecimento da fraude contábil. A ação da diretoria visava ocultar a real situação financeira da companhia do Conselho de Administração e do mercado em geral. Isso resultou em uma queda acentuada nas ações da empresa, que se recuperou ao divulgar um balanço somente em novembro de 2023.

Desdobramentos e Aportes Financeiros

O plano de recuperação judicial foi finalmente aceito pela assembleia de credores em dezembro de 2023, após negociações que envolveram uma injeção de R$ 12 bilhões por parte de acionistas de referência, entre eles Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira. Adicionalmente, o plano previa a conversão de R$ 12 bilhões em dívidas com ações da empresa.

Depois do episódio, a Americanas implementou uma “estratégia de reestruturação e otimização” com o objetivo de se tornar uma operação mais eficiente e rentável. No quarto trimestre de 2025, a empresa registrou um prejuízo líquido de R$ 44 milhões, uma queda significativa em relação ao resultado negativo de R$ 586 milhões registrado no final de 2024.

Em março de 2026, a Americanas entrou com um pedido para sair do processo de recuperação judicial, tendo cumprido todas as condições estabelecidas. O CEO, Fernando Soares, afirmou que a empresa apresentou números positivos e um fluxo de caixa favorável, o que justificou a solicitação. O pedido foi submetido à 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro.

Operação Disclosure e Suspeitas de Fraude

Durante a divulgação dos resultados relacionados ao primeiro bimestre de 2026, a Americanas informou que o Ministério Público e o administrador judicial já tinham emitido pareceres favoráveis à sua saída antecipada do regime recuperacional. Em fevereiro, a companhia obteve a aprovação dos credores para a venda de vários imóveis, cujo valor total foi estimado entre R$ 346 milhões e R$ 468 milhões. Com os recursos obtidos, a empresa comprometeu-se a destinar 60% do montante líquido que ultrapassasse R$ 200 milhões para amortização ou resgate das debêntures.

A CNN Brasil buscou um posicionamento da Americanas e aguarda retorno.

A Operação Disclosure, como mencionado anteriormente, é um desdobramento de uma investigação iniciado em 2024. Nela, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, com a solicitação de bloqueio de aproximadamente R$ 54 bilhões. As buscas se concentram nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, envolvendo nomes reconhecidos como Beto Sicupira e Jorge Paulo Lemann.

A investigação tenta averiguar se os suspeitos tinham conhecimento das fraudes contábeis que teriam ocorrido ao longo dos anos. De acordo com os investigadores, as fraudes poderiam estar ligadas a operações de risco sacado e contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) que teriam sido contabilizados sem o devido respaldo econômico. As apurações levantam indícios de possíveis crimes de manipulação de mercado e associação criminosa.