A gigante da petroquímica Braskem anunciou que realizou o ajuizamento de um pedido de recuperação extrajudicial nesta segunda-feira (24). Segundo Fato Relevante enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a situação financeira da empresa se tornou crítica, com obrigações financeiras que somam US$ 10,9 bilhões, ou R$ 56,09 bilhões.
Desafios da Braskem e do Setor Petroquímico
O pedido de recuperação foi protocolado em um momento desafiador tanto para a Braskem quanto para a indústria petroquímica como um todo. Criada em agosto de 2002, a Braskem surgiu da integração das empresas da Odebrecht e do Grupo Mariani. Com o passar dos anos, a companhia consolidou sua posição como a maior produtora de resinas termoplásticas das Américas e a maior produtora de polipropileno nos Estados Unidos.
A empresa mantém indústrias em locais estratégicos, como Brasil, Estados Unidos, Alemanha e México, focando sua produção em resinas polietileno (PE), polipropileno (PP) e policloreto de vinila (PVC). Além disso, produz insumos químicos básicos, como eteno, propeno, butadieno, benzeno, tolueno e solventes.
Reconhecimento e Polêmicas
Apesar de seus reconhecimentos, com prêmios como as melhores empresas para se trabalhar pelo ranking Forbes e o selo LEAD no Pacto Global desde 2014, por seu compromisso com o desenvolvimento sustentável, a Braskem também enfrentou sérios desafios nos últimos anos. Em 2024, a empresa esteve no centro de polêmicas relacionadas a danos ambientais na cidade de Maceió, Alagoas. Após a Polícia Federal indiciar 20 pessoas por exploração e sal-gema, a empresa foi responsabilizada por eventos que causaram o afundamento de bairros na capital alagoana, levando cerca de 60 mil pessoas a deixarem suas casas.
Esse cenário resultou em uma queda significativa das ações da Braskem, que despencaram quase 15% em um único pregão. Além disso, o setor petroquímico enfrentou desafios adicionais, como excesso de oferta global e margens menores, o que resultou em uma demanda mais fraca e, consequentemente, impactou financeiramente a empresa.
Resultados Financeiros e Prognóstico
Neste contexto financeiro deteriorado, a estrutura de capital da Braskem se tornou uma preocupação. Com a Selic passando de 2% em 2020 para 15% em março de 2026, os custos do serviço da dívida aumentaram bastante. Uma parte significativa do passivo da companhia é denominada em moeda estrangeira, o que agrega outra camada de dificuldades financeiras.
No último balanço divulgado pela petroquímica, a Braskem registrou um lucro líquido de R$ 3,33 bilhões no segundo trimestre de 2026, revertendo o prejuízo de R$ 267 milhões visto no mesmo período do ano anterior. Entretanto, a receita líquida foi de R$ 21,72 bilhões no trimestre, mostrando que, apesar do crescimento, a empresa ainda enfrenta desafios enormes com dívidas que totalizam US$ 10,9 bilhões.
As agências de rating, como a Fitch e S&P Global, reagiram ao cenário negativo ao rebaixar as notas de crédito da companhia, citando suas elevadas dívidas e o precedente de que a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo havia aprovado o pedido de tutela cautelar feito pela empresa. Os desdobramentos dessas ações afetaram ainda mais o preço das ações da Braskem, que caíram mais de 3,50% após o anúncio do pedido de recuperação extrajudicial, cotadas a R$ 4,89.
A decisão da Braskem de buscar recuperação se dá em um contexto em que pedidos de recuperação judicial têm disparado, alcançando os níveis mais altos em quase 20 anos. A continuidade da gestão e das operações da companhia será um ponto central a ser observado enquanto a empresa navega por essa fase desafiadora.

