A Polícia Civil e o MPSP (Ministério Público de São Paulo) prenderam, em uma operação na manhã desta terça-feira (7), parte de um grupo suspeito de participar do sequestro do influenciador Gabriel Spalone no Shopping Cidade Jardim, na zona Sul da capital paulista, em fevereiro de 2025.
Os agentes cumpriram cinco mandados de prisão temporária e 14 de busca e apreensão nas cidades de Sorocaba, Santa Isabel e Indaiatuba, além de Natal (RN), durante a Operação Criptonita. Quatro pessoas foram presas e o quinto alvo de mandado de ordem de prisão já estava em cárcere por conta de outra investigação da Polícia Federal e do Ministério Público.
A investigação do 34° DP (Morumbi) começou após Gabriel Spalone, de 29 anos, ser sequestrado em um dos shoppings mais luxuosos de São Paulo. Ele foi ao local para se encontrar com um suposto sócio para realizar uma transação de criptoativos, mas acabou sendo induzido a entrar em um carro com criminosos.
Na ocasião, a esposa de Gabriel tinha acesso à localização do celular e, após suspeitar a movimentação, acionou à polícia. O veículo foi localizado em Santa Isabel, na Grande São Paulo, onde os bandidos foram presos com uma arma de fogo.
Nesta terça, a polícia prendeu a outra metade da organização criminosa, que é investigada por extorsão mediante sequestro, lavagem de dinheiro com criptomoedas, associação criminosa e porte ilegal de arma de fogo.
Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos itens de luxo, como relógios e carros, além de celulares, notebooks, máquina de contar dinheiro e dispositivos possivelmente usados nas fraudes. A polícia aponta a atuação de um grupo estruturado, com divisão de tarefas e movimentações financeiras suspeitas, entre eles um guarda civil municipal de Indaiatuba.
No total, foram mobilizados 54 policiais civis nas ações, incluindo equipes especializadas do Garra (Grupo Armed de Repressão a Roubos e Assaltos), do GER (Grupo Especial de Reação) e agentes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público. A investigação do sequestro continua para localizar outro envolvido e aprofundar o rastreamento dos recursos.
Investigação relacionada a lavagem de dinheiro
A polícia afirma que a ocorrência no Shopping Cidade Jardim está ligada a uma investigação anterior da DCCiber (Divisão de Crimes Cibernéticos) e do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), que apura uma fraude bancária de cerca de R$ 146,5 milhões.
Gabriel Spalone, vítima do sequestro, é apontado como um dos possíveis envolvidos no esquema milionário de lavagem de dinheiro, sendo responsável por “movimentar e ocultar valores ilícitos por meio de criptoativos“.
Segundo a polícia, há indícios de que parte significativa dos quase R$ 150 milhões tenha sido desviada, o que pode ter motivado o sequestro. A investigação da DCCiber e do Deic identificou que mais de R$ 70 milhões do valor fraudado foram direcionados a um parceiro comercial ligado a Gabriel, valor incompatível com a capacidade financeira declarada dos envolvidos.
A Justiça de São Paulo concedeu liberdade provisória a Gabriel Spalone em fevereiro deste ano. Ele chegou a ficar preso e é réu por furto qualificado e associação criminosa em um processo que apura o desvio de R$ 146,5 milhões por meio de transferências via Pix.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo
