Um homem de 42 anos foi encontrado morto dentro de um freezer industrial na cozinha do Núcleo de Convivência Chá do Padre, equipamento social localizado na Rua Riachuelo, no Centro de São Paulo. O corpo foi descoberto na manhã de domingo (16) por um cozinheiro que iniciava o trabalho do dia e, ao abrir o refrigerador, se deparou com o cadáver. Ele imediatamente comunicou os responsáveis pela unidade e acionou as autoridades.
A Prefeitura de São Paulo confirmou o ocorrido por meio de nota oficial, destacando que o equipamento é vinculado à Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) e que a equipe adotou todas as medidas cabíveis previstas em protocolo. A administração municipal, no entanto, não divulgou detalhes sobre como o homem teria acessado o local e nem sua identidade.
A Polícia Civil registrou a ocorrência como morte suspeita e agora apura se o caso trata-se de um acidente ou de um possível crime. Inicialmente levado ao 8º Distrito Policial, no Brás, o inquérito deverá ser conduzido pelo 1º DP, na Sé, responsável pela área onde fica o núcleo. Policiais militares e agentes da Guarda Civil Metropolitana foram os primeiros a chegar ao local. Segundo agentes que atenderam à ocorrência, o corpo não apresentava sinais aparentes de violência, o que amplia as hipóteses investigadas.
Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionada e constatou oficialmente o óbito. A investigação agora busca entender se o homem pode ter entrado voluntariamente no freezer — possivelmente em busca de abrigo ou por desorientação — e ficado preso, ou se terceiros tiveram participação no episódio. As câmeras internas do espaço e eventuais relatos de frequentadores podem ajudar a esclarecer o que aconteceu.
O Núcleo de Convivência Chá do Padre é gerido pela Ação Social Franciscana (Sefras) e funciona no modelo de portas abertas, oferecendo alimentação, atividades socioeducativas, serviços de higiene e estrutura para lavagem de roupas. O local é reconhecido por atender diariamente centenas de pessoas em situação de rua, com capacidade de até 400 vagas.
Em nota, a Sefras informou que a equipe seguiu todos os procedimentos, acionando imediatamente PM, GCM e Samu após a descoberta. A organização ressaltou seu compromisso com o acolhimento e a segurança das pessoas atendidas e afirmou estar colaborando com as investigações.
A Secretaria da Segurança Pública também se pronunciou e informou que a perícia da Polícia Técnico-Científica esteve no local. O laudo necroscópico, que será produzido pelo Instituto Médico Legal, deve indicar a causa da morte e será peça central para a definição das próximas etapas da investigação. O resultado ainda não foi concluído.
Enquanto o esclarecimento do caso não chega, a morte dentro de um espaço destinado ao acolhimento reacende o debate sobre a vulnerabilidade extrema da população em situação de rua e sobre a necessidade de mecanismos adicionais de segurança, sem comprometer o caráter aberto e acessível dos serviços.