O caso de feminicídio envolvendo Cibele Monteiro Alves, de 22 anos, e seu ex-companheiro Cássio Henrique da Silva Zampieri, ocorrido dentro de um shopping no ABC Paulista em 25 de fevereiro, expõe um claro histórico de violência e intimidação. Antes do trágico acontecimento, já havia uma série de denúncias sobre ameaças e agressões que Cibele enfrentou.
Conforme relatos, o ex-parceiro teria vazado imagens íntimas da jovem e realizado ameaças por meio de transferências bancárias. Cássio chegou ao ponto de compartilhar fotos da vítima com lojas onde ela trabalhava, tentando envergonhá-la e prejudicá-la profissionalmente. Apesar das pressões, a empresa não cedeu às ameaças, o que fez com que as agressões se intensificassem.
Histórico de ameaças e proteção
O feminicídio, resultado da inconformidade de Cássio com o término do relacionamento, é mais um caso que reflete a falta de proteção adequada às vítimas. Cibele havia registrado três boletins de ocorrência e obtido uma medida protetiva, a qual deveria impedir contato com o agressor. Mesmo assim, Cássio persistiu nas intimidações.
Pessoas próximas à vítima revelam que o relacionamento sempre foi marcado por violência. Cibele tentou se afastar definitivamente em abril de 2025, mas Cássio não respeitou seu desejo e continuou a assediá-la, gerando um clima de medo constante. Uma amiga da vítima relatou que, após a separação, Cássio passou a estar presente em locais onde Cibele se encontrava, tornando a situação insustentável.
A agressão no shopping
O crime ocorreu quando Cássio entrou na loja onde Cibele trabalhava, armado com uma faca e uma arma de airsoft. Segundo o registro policial, ele atacou a jovem no pescoço. A polícia foi acionada, mas quando os agentes chegaram, Cássio estava mantendo a vítima sob ameaça. A situação se agravou, levando à intervenção policial e ao confronto, onde Cássio foi baleado.
Um vídeo da negociação entre polícia e agressor ilustra a gravidade da situação. Infelizmente, Cibele não sobreviveu aos ferimentos, e Cássio foi encaminhado ao hospital sob custódia. Em uma comunicação com amigos, ele admitiu ter matado Cibele, revelando a frieza com que tratou a situação. A queda de Cibele diante da violência é um claro exemplo da urgência em tratar questões relacionadas ao feminicídio.
O caso é tratado como feminicídio pela Polícia Civil de São Paulo, e levanta questões importantes sobre a proteção às vítimas de violência doméstica e a importância de uma resposta efetiva das autoridades. O descaso diante das inúmeras violações que Cibele sofreu é uma chamada de atenção para a sociedade e para os mecanismos de proteção.