O Brasil enfrenta um aumento preocupante nos casos de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas, com 225 notificações até este domingo (5), segundo o Ministério da Saúde. Entre esses casos, 16 foram confirmados, 209 estão em investigação, 13 mortes são analisadas e duas foram confirmadas. A maioria das ocorrências foi registrada em São Paulo, incluindo os casos fatais de dois homens que frequentaram o mesmo bar na Mooca, Zona Leste da capital, que foi posteriormente fechado.
A intoxicação por metanol não é recente. Casos graves já ocorreram no país, como em 1990, quando 18 pessoas morreram na Bahia após ingerir pinga adulterada, ou em 1992, em Diadema, durante um evento com bebidas contaminadas. Entre 2016 e 2023, houve 11 mortes de pessoas em situação de vulnerabilidade social por consumo de metanol.
O perigo do metanol não está na substância em si, mas nas toxinas produzidas quando ele é metabolizado pelo fígado. Para evitar que o metanol se transforme em compostos perigosos, os médicos usam antídotos. O principal é o fomepizol, que bloqueia as enzimas hepáticas responsáveis pela transformação do álcool em substâncias tóxicas. Quando o fomepizol não está disponível, o etanol — o álcool comum das bebidas — pode ser usado, pois ocupa as mesmas enzimas e impede a ação do metanol. Ambos os tratamentos só devem ser administrados sob supervisão médica rigorosa.

Atualmente, o fomepizol não estava disponível no Brasil, mas o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou a importação de 2,5 mil doses do Japão, em parceria com a Organização Pan-Americana de Saúde.
Os sintomas da intoxicação por metanol podem surgir em até 24 horas e incluem náuseas, cólicas, tontura, alterações de consciência e visão turva. O sangue se torna mais ácido, o fígado, medula e cérebro são afetados, e o nervo óptico pode ser danificado, resultando em cegueira em alguns casos. O metanol também compromete os pulmões, podendo causar insuficiência respiratória.
O CIATOX de Campinas é um dos laboratórios responsáveis pela análise de sangue de pacientes com suspeita de intoxicação. Por ser incolor e ter cheiro semelhante ao etanol, o metanol pode ser difícil de detectar, aumentando os riscos de contaminação acidental.
A recomendação das autoridades de saúde é que consumidores tenham cuidado com bebidas de procedência duvidosa e que estabelecimentos sigam normas rigorosas de fiscalização para evitar surtos como o atual.
