A investigação sobre o acidente na Serra do Japi, que envolveu uma aeronave desaparecida por dois dias, foi finalmente concluída após dois anos. Entre os fatores que contribuíram para o trágico evento estão a insistência na realização do voo, condições meteorológicas adversas e a tomada de decisão do piloto.
A CNN Brasil teve acesso ao relatório do CENIPA (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos). A aeronave PT-WLP desapareceu em março de 2024, ao sair de Jundiaí com destino ao Aeroporto Campo de Marte, em São Paulo.
O documento indica que o piloto estava começando um novo emprego: “A recente formalização do vínculo empregatício do piloto, associada à proximidade de um compromisso familiar, pode ter gerado uma pressão autoimposta para a conclusão do translado, reduzindo a margem de segurança na avaliação dos riscos relacionados à operação”, aponta o relatório.
A aeronave colidiu com a vegetação a uma altitude de 3.832 metros, em condições de baixa visibilidade. O julgamento do profissional também foi apontado como uma das causas.
“O piloto optou por retornar à origem mantendo o voo sob regras visuais em altitudes inferiores ao topo do relevo circundante. A falha em analisar as alternativas mais seguras, como a transição para um plano de voo IFR (voo por instrumento), demonstrou um julgamento inadequado diante da situação”, complementam os investigadores.
A presença de névoa úmida e a formação de camadas de nuvens baixas na região da Serra do Japi atuaram diretamente no obscurecimento do relevo. Tais fenômenos meteorológicos impediram a manutenção das referências visuais necessárias para o voo noturno, resultando na impossibilidade de identificação dos obstáculos à frente da trajetória.
Trecho do relatório do CENIPA obtido pela CNN Brasil
Relembre o acidente na Serra do Japi
O Corpo de Bombeiros de São Paulo localizou, no dia 29 de março, os destroços da aeronave, que estava desaparecida desde a noite anterior, na região da Serra do Japi, interior do estado.
Segundo informações da Rede Voa, responsável pelo Aeroporto de Jundiaí, a aeronave modelo PA-34-220T, prefixo PT-WLP, decolou por volta das 20h15 em direção ao Aeroporto Campo de Marte, na capital paulista.
Ao se aproximar para pouso, o piloto informou que iria retornar ao Aeroporto de Jundiaí devido à inoperância do Aeroporto Campo de Marte. O Comando de Aviação da Polícia Militar relatou que o último contato da aeronave foi por volta das 23h da quinta-feira (28), enquanto sobrevoava a Serra do Japi.
A Defesa Civil de São Paulo encontrou o corpo do piloto dois dias depois, na tarde de 30 de março.
*Com informações de Carolina Figueiredo, Luan Leão e Catarina Nestlehner
