A Justiça de São Paulo recebeu e passou a analisar a denúncia apresentada pelo Ministério Público (MP) contra o prefeito afastado de São Bernardo do Campo, Marcelo Lima (Podemos), e outras nove pessoas acusadas de integrar um esquema de organização criminosa e lavagem de dinheiro. O caso foi revelado pela Operação Estafeta, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em conjunto com o MP.
Os denunciados terão um prazo de 15 dias para apresentar defesa prévia antes de uma nova manifestação da Justiça. O processo tramita em segredo de Justiça.
Segundo a denúncia, o grupo é acusado de desviar recursos públicos por meio de contratos fraudulentos da Prefeitura com empresas privadas ligadas formalmente ao município e à Fundação ABC. A investigação aponta que o esquema teria começado em 2022 e durado até pelo menos 14 de agosto deste ano, data em que a operação foi deflagrada.
Acusados no processo
Entre os denunciados estão:
-
Marcelo Lima, prefeito afastado de São Bernardo do Campo;
-
Danilo Lima Ramos, vereador afastado da presidência da Câmara e primo do prefeito;
-
Ary José de Oliveira, suplente de vereador afastado;
-
Paulo Iran, ex-funcionário da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), apontado como operador financeiro do esquema;
-
além de secretários municipais, servidores e empresários ligados à administração pública.
Prejuízo milionário e medidas patrimoniais
O procurador-geral Paulo Sérgio de Oliveira e Costa destacou que a rede criminosa gerou um prejuízo estimado em até R$ 16,9 milhões aos cofres públicos de São Bernardo. O MP solicitou o bloqueio e sequestro de bens dos denunciados, para garantir o ressarcimento dos valores desviados, bem como o pagamento de multas e custas processuais em caso de condenação.
De acordo com o órgão, a medida busca também impedir que os acusados utilizem o patrimônio adquirido com recursos ilícitos para se beneficiar durante o curso do processo.
Próximos passos
Após a apresentação das defesas, a Justiça deverá decidir se aceita integralmente a denúncia e transforma os investigados em réus. Caso isso ocorra, todos responderão formalmente pelos crimes de organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro.
O caso se soma a outros episódios de crise política no município, que já levaram ao afastamento de lideranças importantes e à abertura de discussões na Câmara Municipal sobre medidas de responsabilização.
