Um episódio trágico marcou a segunda-feira (15) em Porto Alegre. Herick Cristian da Silva Vargas, de 29 anos, diagnosticado com esquizofrenia, morreu após ser baleado por policiais militares durante um surto psicótico. A mãe do jovem, Evolmara Vargas, relata que acionou a Brigada Militar buscando auxílio para conter a crise do filho, mas afirma que acabou presenciando sua execução.
“Chamei ajuda, não para matar meu filho, e foi o que aconteceu. Atiraram no rosto dele”, desabafou a mãe, inconsolável com a perda.

Segundo a Brigada Militar, a ocorrência começou como um chamado de violência doméstica, no bairro Parque Santa Fé. A mãe teria informado que o filho estava agressivo, havia consumido drogas, a agredido e ameaçava tirar a própria vida. Ainda de acordo com a corporação, os policiais tentaram primeiro a verbalização e, em seguida, utilizaram a arma de incapacitação elétrica (taser) duas vezes, mas sem sucesso.
O comandante do 20º Batalhão, tenente-coronel Tales Américo Osório, afirma que houve luta corporal e investida contra os agentes, o que teria levado ao uso da arma de fogo. A perícia ainda determinará quantos disparos atingiram Herick, mas familiares afirmam que ele foi alvejado na cabeça.
A morte está sendo investigada tanto pela Polícia Civil quanto pela própria Brigada Militar, que instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM). O delegado responsável, Carlos Assis, avaliou preliminarmente, após analisar imagens das câmeras corporais e ouvir testemunhas, que houve “uso moderado da força”.
A ocorrência foi registrada em vídeo pelos equipamentos usados nos uniformes dos PMs e será peça-chave para esclarecer se houve ou não excesso na ação. Enquanto isso, a família questiona a forma como a polícia agiu diante de uma situação que, segundo eles, deveria ter sido tratada como emergência médica e não como confronto armado.