Abuso Estupro Ginecologista

Médico e hospital são condenados a pagar R$ 80 mil por abusos em consultas ginecológicas

O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) condenou o ginecologista José Adagmar Pereira de Moraes e um hospital da rede Hapvida a pagarem R$ 80 mil a duas mulheres que sofreram abusos sexuais durante consultas ginecológicas em julho de 2016. As vítimas tinham apenas 18 anos na época e foram atendidas no hospital localizado no bairro Espinheiro, Zona Norte do Recife.

José Adagmar já teve o registro profissional cassado e responde a processos criminais semelhantes em Pernambuco e em Suzano (SP), onde foi preso em outubro de 2020 por suspeita de estupro. No Recife, atualmente, existem quatro inquéritos abertos contra o médico. A indenização, inicialmente pedida em R$ 150 mil para cada vítima, foi fixada em R$ 80 mil após a tramitação do processo. Os advogados das vítimas, Leonardo Lustosa de Avelar e Pedro Victor Cavalcanti Damasceno, informaram que recorrerão para tentar aumentar o valor, argumentando que as quantias oferecidas anteriormente pelo plano de saúde eram irrisórias.

A decisão estabelece que a indenização seja paga de forma solidária entre o médico e o hospital, que, segundo a defesa, respondeu de forma negligente em alguns pontos. Entre as falhas apontadas estão a ausência de profissional de apoio durante as consultas, falta de estrutura adequada, como cama sem apoio para os pés e não fornecimento de bata para cobrir as pacientes.

Os advogados também representam outras duas mulheres que relataram abusos pelo mesmo médico, incluindo um caso durante procedimento de inserção de DIU. “As meninas faziam o primeiro atendimento e nunca tinham ido ao ginecologista. Foi um trauma profundo”, disse Pedro, reforçando que, embora haja condenação em primeira instância na esfera criminal, os recursos ainda estão em andamento.

A prisão de José Adagmar em Suzano ocorreu enquanto ele atendia em uma clínica particular e foi motivada por denúncia registrada na Delegacia de Defesa da Mulher. O caso evidencia a importância de fiscalização e protocolos de segurança em atendimentos médicos, principalmente em consultas ginecológicas, para proteger pacientes vulneráveis.