ar-condicionado Operação recuperação

Megaoperação desarticula grupo de ar-condicionado suspeito de sonegar mais de R$ 800 milhões em impostos

Uma operação de grandes proporções deflagrada na manhã desta quinta-feira (30) por uma força-tarefa estadual investiga um grupo empresarial do setor de ar-condicionado suspeito de fraudar o pagamento de impostos e acumular dívidas superiores a R$ 800 milhões com o fisco.

A ação é conduzida de forma conjunta pela Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo (Sefaz-SP), a Procuradoria-Geral do Estado (PGE-SP) e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), com o apoio da Receita Federal, da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e da Polícia Civil.

O alvo principal da investigação são as empresas PoloAr e Uniar (antiga STR), apontadas como parte de um conglomerado familiar com extenso histórico de autuações fiscais e que, segundo as autoridades, simulou uma reestruturação societária para escapar de débitos acumulados.

Uma das companhias do grupo chegou a somar R$ 443 milhões em dívidas de ICMS, valor que teria motivado a criação de uma nova empresa em Minas Gerais. Essa sucessora, de acordo com os investigadores, passou a operar mantendo as mesmas atividades, mas sem recolher o imposto devido, acumulando mais R$ 250 milhões em tributos não pagos. Além disso, o grupo ainda possui R$ 150 milhões em pendências com a União.

Os indícios apontam para a prática de sucessão empresarial fraudulenta, mecanismo em que empresas são recriadas em nome de novos sócios ou em outros estados com o objetivo de driblar autuações fiscais e dívidas anteriores.

Durante a operação, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Pindorama (SP), Extrema (MG) e Rio de Janeiro (RJ), em endereços comerciais e residenciais ligados aos integrantes do grupo.

Foram mobilizados mais de 100 agentes públicos, incluindo 40 auditores fiscais da Sefaz-SP, 11 procuradores do Estado, 10 promotores de Justiça, além de dezenas de policiais civis. A operação resultou no bloqueio de bens móveis e imóveis, como carros de luxo e propriedades rurais, e no congelamento de mais de R$ 200 milhões em ativos financeiros.

As investigações revelam que o grupo mantém um vasto patrimônio registrado em nome de empresas patrimoniais e familiares, incluindo imóveis urbanos e rurais distribuídos em diversos estados.

A ação faz parte das iniciativas do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (CIRA-SP), criado para combater a atuação de devedores contumazes, aqueles que adotam sistematicamente práticas para evitar o pagamento de tributos.

Até o momento, as defesas das empresas PoloAr e Uniar não foram localizadas para comentar o caso.