A possibilidade de restrição no mercado de fertilizantes está afetando a produção agrícola e gerando preocupações para a próxima safra. Nos últimos dias, representantes de diversos setores relataram uma combinação de alta dos preços, falta de produtos e mudanças no comportamento dos produtores. Estas questões foram discutidas em um evento da Argus Media em São Paulo, onde ficou evidente a retração na demanda e as limitações na oferta.
Felipe Coutas, da Itafos, destacou que muitos agricultores estão decidindo não adubar, independentemente do preço. Esse cenário é resultado da piora na relação de troca, onde o custo do pacote de NPK já consome uma parte significativa da produtividade média.
Implicações da Restrição de Fertilizantes
Além das preocupações com os preços, a indústria também enfrenta a possibilidade de falta física de fertilizantes, algo inédito nas últimas décadas. Essa questão é agravada pela restrição global de insumos essenciais como enxofre e ácido sulfúrico, que são fundamentais na produção de fertilizantes.
A oferta de enxofre, um subproduto crucial, depende da indústria de petróleo, e após um leve superávit, o mercado está enfrentando déficit, uma situação que deve se agravar nos próximos anos. Este problema é intensificado por fatores geopolíticos e limitações logísticas, uma vez que muitas áreas de produção estão em regiões instáveis.
Custos e Logística no Setor de Fertilizantes
Os altos preços dos fertilizantes também aumentaram a necessidade de capital de giro para os produtores. Coutas mencionou que operações que costumavam custar cerca de US$ 8 milhões agora podem exigir até US$ 40 milhões. Esse aumento no custo de operações limita o acesso ao crédito.
Nayara Piloto, da EuroChem, informou que essa situação já resultou em paralisações nas plantas industriais no Brasil devido à falta de insumos ou pela inviabilidade econômica. As limitações logísticas, especialmente para produtos como enxofre, têm dificultado ainda mais a produção.
Alternativas e Ajustes no Manejo Agrícola
Diante desse desafio, tanto a indústria quanto os produtores estão buscando alternativas. Há discussões sobre o uso de fosfato natural reativo e fertilizantes de menor concentração. Porém, essas opções apresentam suas próprias limitações e podem afetar a produtividade.
No campo, já se observa uma redução na adubação, com cortes de até 25% em determinadas aplicações. Expectativas indicam que, apesar das dificuldades, a área plantada pode ser mantida, mas a produção esperada pode não ser alcançada. A combinação de restrições de oferta, preços altos e dificuldades de crédito requer ajustes urgentes em toda a cadeia produtiva.

