São Paulo

Metrô inicia operação 24 horas aos sábados, mas linhas privatizadas ficam fora por custo e falta de previsão contratual

O Metrô de São Paulo dará início neste sábado (6) ao funcionamento ininterrupto entre as madrugadas de sábado e domingo, em um projeto experimental que deve durar até fevereiro de 2026. A medida, que atende a uma demanda antiga de passageiros, trabalhadores noturnos e turistas, abrange apenas as linhas administradas diretamente pelo governo estadual — 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata.

No entanto, a novidade já gerou críticas e questionamentos nas redes sociais, especialmente porque as linhas operadas pela iniciativa privada, 4-Amarela e 5-Lilás, sob comando das concessionárias ViaQuatro e ViaMobilidade, não vão aderir ao esquema. Usuários destacam que a ausência das linhas privatizadas prejudica a integração e pode deixar passageiros aguardando até o reinício da operação tradicional, às 4h40, para completar seus trajetos.

Apesar dos questionamentos, as concessionárias evitaram declarações públicas. Apurações feitas pela reportagem indicam que tanto a ViaMobilidade quanto a ViaQuatro descartam, neste momento, a ampliação do horário. O motivo principal seria financeiro: operar durante a madrugada, com demanda reduzida, aumentaria os custos sem garantir retorno. Representantes das empresas afirmam que, por não haver previsão contratual para esse tipo de funcionamento, qualquer mudança exigiria contrapartida do governo e aditivo formal aos contratos — mesmo em caráter temporário.

Um diretor ouvido sob anonimato afirmou que o Metrô tomou a decisão sem consultar previamente as concessionárias do sistema metroferroviário. Ele destacou que o custo da operação extra é coberto pelo Tesouro estadual, algo que as empresas privadas não têm à disposição. A Artesp, responsável por fiscalizar os serviços, reforçou que a iniciativa é exclusiva do Metrô e que as concessionárias seguirão os horários tradicionais.

A operação 24 horas permitirá embarque e desembarque em todas as estações das quatro linhas participantes. Os trens circularão ao longo de toda a madrugada, com intervalos entre 20 e 30 minutos. Em alguns trechos da Linha 2-Verde, a circulação será feita em via singela, enquanto a Linha 15-Prata, neste primeiro fim de semana, funcionará com ônibus gratuitos do sistema PAESE devido a testes com novos trens.

O Metrô reforça que o objetivo da fase experimental é medir o interesse dos usuários, testar a viabilidade técnica e estruturar possíveis ajustes para que o serviço possa se consolidar no futuro. Durante a madrugada, bilheterias permanecerão fechadas e os passageiros terão acesso às estações por meio de cartões Bilhete Único, TOP, máquinas de autoatendimento e pagamento por aproximação. Esse último recurso já funciona em algumas linhas e será estendido gradualmente até o final de dezembro.

A depender dos resultados, o projeto poderá ser ampliado ou ajustado, mas, por ora, a falta de adesão das concessionárias privadas ainda é considerada o principal obstáculo para a experiência completa de uma malha integrada funcionando 24 horas na capital.