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Mistério no Rodoanel: motorista sequestrado, bomba falsa e bloqueio de 40 km ainda intrigam polícia

Um episódio que mobilizou forças policiais, esquadrões antibomba e paralisou parte da Grande São Paulo continua envolto em mistério. Na manhã de quarta-feira (12), um caminhão foi atravessado no Rodoanel Mário Covas, em Itapecerica da Serra, bloqueando completamente as pistas por quase cinco horas. A suspeita inicial de que havia uma bomba dentro da cabine levou o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) a agir com extremo cuidado — até que se confirmou tratar-se de um artefato falso.

O motorista, Dener Laurito dos Santos, de 52 anos, morador de Ribeirão Pires e caminhoneiro experiente há 17 anos, foi encontrado dentro do veículo com as mãos amarradas e fios vermelhos conectados a pacotes envoltos em papel alumínio. Segundo a Polícia Militar, a cena aparentava uma situação de extremo risco. Drones, câmeras e cães farejadores foram usados na operação de inspeção.

De acordo com o relato de Dener à Polícia Civil, ele foi vítima de um sequestro realizado por três criminosos durante a madrugada, quando trafegava com o caminhão vazio, retornando do Acre para São Bernardo do Campo. O caminhoneiro contou que foi rendido e obrigado a permanecer dentro da cabine enquanto os assaltantes atravessavam o veículo na pista. O trio teria instalado o simulacro de bomba e o ameaçado para que não saísse.

O motorista foi resgatado horas depois, em estado de choque. Populares que passavam pela rodovia chegaram a avistá-lo preso no interior do caminhão e acionaram a concessionária SPMAR, responsável pelo trecho. Por volta das 9h15, um agente do Gate, usando traje especial, conseguiu se aproximar e conversar com Dener. Assim que foi retirado da cabine, o caminhoneiro desmaiou e foi levado de maca ao hospital. Após atendimento, prestou depoimento na delegacia de Taboão da Serra.

O caso foi registrado como tentativa de roubo com restrição de liberdade, mas outras linhas de investigação seguem abertas. A Polícia Militar chegou a levantar a hipótese de surto psicótico, embora os primeiros exames — incluindo o teste do bafômetro — tenham dado resultado negativo. O exame toxicológico ainda está em andamento.

A carreta, de propriedade da transportadora Sitrex, estava vazia e retornava à sede da empresa após uma entrega. Segundo a transportadora, o caminhoneiro seguia corretamente todos os protocolos de segurança e descanso. Imagens do sistema de rastreamento confirmam que o trajeto e o comportamento do veículo estavam dentro da normalidade até o momento da abordagem.

O bloqueio do Rodoanel, entre os quilômetros 45 e 50, causou um impacto significativo no trânsito. No pico da operação, o congestionamento chegou a 40 quilômetros. O trânsito só foi normalizado após a retirada do caminhão e a constatação de que o artefato não apresentava perigo.

Ainda não há informações sobre a identidade ou o paradeiro dos três suspeitos apontados pelo motorista. Também permanecem sem resposta questões centrais: por que o caminhão vazio foi atacado, qual seria a motivação dos criminosos e o motivo de deixarem o veículo com uma falsa bomba no meio da rodovia. A Polícia Civil continua as investigações para esclarecer as lacunas que cercam um dos casos mais curiosos e tensos do ano nas rodovias paulistas.